Já não sei onde li esta proposta mas parece-me bastante interessante para um País com a nossa situação demográfica, de desemprego e de crónica deficiência na transmissão intergeracional de conhecimento. Trata-se simplesmente de promover reformas a tempo parcial de trabalhadores digamos de 63 anos, portanto a 2 ou 3 anos da reforma por inteiro e contratação de jovens a tempo inteiro para os substituir. Ou seja a criação de uma espécie de relação “tutor” / “aprendiz”, que já houve em Portugal com excelentes resultados. Passando a contas e supondo que o mais velho ganha 2000 € e o mais novo 1000 numa base mensal teremos, para uma reforma parcial a meio-tempo e de forma simplificada:


– Rendimento do mais velho até à reforma total: 1000 € da empresa + 1000 € da reforma parcial (SS?) = 2000 € (igual).
– Descontos do mais velho para a SS = metade do atual.
– Rendimento do mais novo: 1000 €
– Descontos do mais novo para a SS = sobre 1000 €


A SS receberia assim o mesmo valor dos descontos do que se se mantivesse apenas o mais velho a trabalhar. No entanto durante estes 2 a 3 anos de emprego “duplo” a SS teria despesas adicionais de 1000 € / mês, ou seja a reforma parcial do mais velho.


A empresa pagaria aos 2 trabalhadores em conjunto exatamente o mesmo que só ao mais velho (incluindo SS), mas ficaria digamos que com 1,5 trabalhadores visto que a presença e atuação do mais velho em principio garantiria uma produtividade mais alta do mais novo. Tal seria ainda mais evidente se houvesse postos de trabalho semelhantes desocupados que permitissem aos 2 trabalharem simultaneamente. Caso esta integração levasse a um aumento precoce de produção deveria ser a empresa a procurar o respetivo mercado.


Esta solução tem, a meu ver, várias vantagens:


Dá um sentido de utilidade aos mais velhos, situação que considero essencial, até por experiência própria.


Integra com muito mais facilidade os jovens num mercado estável de trabalho e aumenta-lhes o respeito pelas gerações anteriores.


Aumenta a produtividade de ambos.


Tem custos muito inferiores, julgo, a quaisquer outras soluções de reformas antecipadas, geralmente com quebra total de vínculos e contratação, muitas vezes precária, de quem ainda mal conhece o ofício.


Permite uma transmissão de conhecimento muitas vezes de valor incalculável.


Numa altura em que, na minha opinião, temos de continuar a entrar em setores de “nicho” de alto valor acrescentado, como aliás já começámos a fazer bem no vinho, calçado, texteis, móveis de qualidade, etc. parece-me essencial criar um mecanismo deste tipo para garantir a transmissão do conhecimento prático que vamos obtendo e uma rentabilização dos seus detentores. Haverá aperfeiçoamentos possíveis? Certamente! Mas a questão de base tem de se manter.

Fotografia de capa por peace6x

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António Jardim

Engenheiro

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