O “Setúbal na Rede” tem realizado ao longo das últimas semanas, entrevistas multimédia aos cabeças-de-lista dos partidos que concorrem pelo círculo de Setúbal. É aquilo a que se chama serviço público, pois informa os eleitores das diferentes opções que terão no boletim de voto e não apenas das 2, 3 ou 4 que já são normalmente mais faladas.

Cenário bem diferente é aquele que vemos que nas televisões, onde os diários de campanha se entretêm – e tentam assim entreter-nos – com: um Passos Coelho que tenta dar música em tom desafinado e cuja comitiva é recebida com vaias e insultos; um António Costa que faz promessas, pede maiorias absolutas e distribui beijinhos por pessoas que por vezes nem sabem o que lá estão a fazer; um Jerónimo de Sousa com ar sorridente quando fala com as pessoas e preocupado quando fala do país; e uma Catarina Martins sempre assertiva e com os números e os factos na ponta da língua, dando respostas prontas.

Por isso, e enquanto as eleições legislativas dividirem o país em 22 círculos eleitorais, o trabalho feito pelo “Setúbal na Rede” é tão importante para os eleitores do círculo de Setúbal, pois é um dos poucos locais onde estes podem saber quem estão realmente a eleger, quer votem no PSD/CDS-PP (Maria Luís Albuquerque), no BE (Joana Mortágua) ou no PAN (Cristina Rodrigues).

Aliás, através destas entrevistas do “Setúbal na Rede” percebemos que as mulheres têm um protagonismo cada vez maior nos partidos (pelo menos a nível distrital), o que é muito positivo. Percebemos ainda que cada vez há mais partidos, ou seja, que muitas pessoas deixaram de acreditar nas forças com maior visibilidade e estão dispostas a dar a cara por aquilo em que acreditam, sujeitando-se ao voto popular.

Assim, os novos partidos são uma face do descontentamento que existe na sociedade e são tão diferentes quanto as atitudes que cada um de nós pode ter, indo desde aqueles que não apresentam programas eleitorais e jogam tudo na imagem do líder, como o PDR, até àqueles que apresentam programas extensos, com medidas concretas e explicam o porquê, o para quê e o como de cada proposta que fazem, como o PAN.

Por isso, não se contente com o que vê na televisão. Veja as entrevistas multimédia do “Setúbal na Rede”, complemente-as com a leitura dos programas eleitorais nos sites dos partidos ou, se quiser, com os tempos de antena na televisão ou na rádio e, dia 4 de outubro, faça a sua escolha. Em consciência.

Fotografia de Alan Cleaver

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Luís Humberto Teixeira

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