“A violência não tem lugar na vida moderna”, diz Kareem Abdul-Jabbar, 67 anos, à CNN. Ele, um dos maiores basquetebolistas de sempre, muçulmano, diz que os terroristas abraçam a violência e “usam a religião para justificar isso. Mas nada justifica isso”.

– Pedro Santos Guerreiro, EXPRESSO CURTO, 15.01.2015

   

As vozes muçulmanas deveriam levantar a sua voz na condenação do terrorismo religioso e o mundo deveria manifestar a sua condenação por todas as formas de terrorismos. Mas, como anteriormente, a ira islâmica vai endurecer e o mundo, após a reação emocional, revelar-se-á pelo silêncio do medo. Como disse Karim Vakil, líder da Comunidade Islâmica de Lisboa, é “impressionante quando dirigentes radicais islâmicos vivem livremente, recebem refúgio político e podem pregar as suas ideias, em Paris ou em Londres”, com a apatia do poder político para com os jihadistas. Karim Vakil toca na ferida mas foge à condenação pura e simples do terrorismo em nome do Islão. Já uma vez escrevi que na religião islâmica não há lugar à violência religiosa e muito menos ao terrorismo em nome dum deus, que não será Alah.

   

Mas Karil Vakil tem razão quando aponta responsabilidades aos dirigentes europeus. Ainda, há algumas semanas, em Londres, numa manifestação da comunidade muçulmana, acompanhada pela polícia, se liam cartazes de apelo ao ódio e ao insulto à liberdade, como:
   

Matai aqueles que insultam o Islão;

Europa pagarás: a tua demolição está em marcha; a tua exterminação está a caminho,

Decapitai os que insultam o Islão

Europa é o cancro, Islão é a resposta

Exterminai os que vão contra o Islão

O Islão dominará o mundo

Que a liberdade vá para o inferno

Europa. Tira algumas lições do 11 de setembro

Europa pagarás. O teu 11 de setembro está a caminho

Preparem-se para o verdadeiro holocausto

   

Existe medo na Comunidade Islâmica de pessoas boas, como no poder político europeu e mundial. A Organização Internacional para as Migrações deveria, em defesa dos imigrantes muçulmanos trabalhadores e honestos, deveria ser a primeira a condenar veementemente o ataque terrorista ao jornal satírico Francês Charlie Hebdo, mas limita-se por o considerar um ataque “inqualificável”. A grande preocupação da OIM não é o terrorismo em si, mas porque o mesmo pode servir de desculpa para “um retrocesso de pânico, desconfiança e ódio”, quando na Europa se manifestam os setores contra a imigração. Estou de acordo com a afirmação da OIM de que se está “numa altura em que o ato de migrar para sítios mais seguros nunca foi tão arriscado e o acolhimento dos migrantes que escapam ao perigo e à opressão nunca foi tão agressivo”, tendo por consequência o desprezo pela gente boa que há nos imigrantes.

   

Mas se tudo isto é uma realidade, a OIM não se deveria preocupar em denunciar as redes terroristas que se espalham na Europa na sombra do mundo imigrante? Não poderão ser os imigrantes vítimas deles próprios ao serem o campo de acolhimento de terroristas? Admiro o pai dum dos terroristas, que num ato de humildade, se entregou à polícia logo que viu as fotografias do filho na televisão. É um muçulmano digno, que está em França para trabalhar e que não aceita transformar a sua fé em ideologia terrorista. Quantos muçulmanos terão a coragem deste Homem? Talvez poucos, porque o medo é grande. Se os Europeus, como sociedade de acolhimento, quer combater o terrorismo, islâmico ou outro, deve reconhecer o trabalho do imigrante leal, reconhecendo a sua dignidade no trabalho, a sua fé numa religião que só poder ser de amor.

   

O terrorismo combate-se. Tenho a sensação que muita imprensa utiliza o tema do terrorismo para vender nas bancas, promovendo um idealismo que não tem nada a ver com o Islão. É a imprensa que transforma o terrorismo em poder e, por isso, fala dum “Estado Islâmico” que não existe e se tornou na ficção do terrorismo. Ao promover os senhores da guerra não se está mais do que a valorizar o que é podre! Recentemente circulou nas redes sociais uma mensagem electrónica enviada por Sean Malone, que dirige o CRI (Movimento Internacional que procura atenuar a Crise.): “Perdemos a cidade de Queragosh que caíu em poder do ISIS que está sistematicamente a degolar crianças”. É este o autoproclamado “Estado Islâmico”!…

   

E nesta brutalidade terrorista, a organização divulgou mais um horrível vídeo em que uma criança com cerca de 10 anos executa com tiros de revólver dois alegados espiões de origem russa. Que fazem os governos europeus? Reúnem de emergência para discutir medidas que eles próprios não sabem o que são, mas que se sabe poderem ser um pacote que atente contra as liberdades de expressão!

   

Há algumas semanas, recebi a notícia de capitulação do Real Madrid perante o poder do radicalismo religioso muçulmano, para ser tolerante, ou, porque não, perante a invasão islâmica terrorista a Espanha. A capitulação dos dirigentes do Real Madrid está no ato de retirar a Cruz de Cristo do seu emblema para “não ofender os seus financiadores da Arábia Saudita”! Medo, cobardia e alianças perigosas, é o menos porque posso qualificar o ato. É este o mundo moderno ocidental, submetido ao poder dos poderosos que, reconheça-se, ou são islâmicos ou chineses. A Europa está vergada…Lê.se no EXPRESSO Curto que “com os ânimos muito exaltados, tanto em França como na Alemanha foram proibidas manifestações anti islão. Em muitos países muçulmanos multiplicam-se as manifestações contra o Charlie Hebdo. As mais violentas tiveram lugar no Paquistão e no Níger – onde muitos cristãos estão agora sob protecção policial”.

   

A Europa está vergada, pelo intelectualismo que Henrique Raposo acusa na sua crónica (EXPRESSO, 12.12.2014), quando escreve: “És ateu para criticar o cristianismo, não para criticar o Islão”: este podia ser o mandamento de boa parte dos ateus ocidentais: criticam o cristianismo, em particular, e a religião, em geral, mas não tocam no culto mais problemático do momento: o Islão. A tensão entre estas duas pulsões contraditórias chega a ser cómica: querem ser ateus (esquerda clássica) mas depois percebem que esse discurso entra em choque com o politicamente correcto vigente (esquerda pós-moderna) que exige o apoio às causas do “outro”; como grande combatente anti-Ocidente, o Islão é um herói, mesmo quando alberga os maiores fanáticos, os maiores machistas, os maiores homofóbicos”. Será que a Europa vai acordar?

Fotografia de capa por mattlemmon

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António Figueiredo

Gestor Reformado
Foi trabalhador estudante, licenciado e Executivo de três empresas multinacionais, tendo exercido cargos no exterior. Foi Oficial do Exército, casado com dois filhos, reformou-se aos 55 anos, após 40 anos de trabalho. Na pensamento político é social democrata. Dedica o tempo de reforma ao voluntariado social e foi durante dois mandatos presidente da UDIPSS de Setúbal.

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