Cruzei-me com o Óscar Mascarenhas nos bancos da Faculdade de Direito há quase 50 anos.

Não recordo desses tempos nenhuma relação especial como a que desenvolvemos mais tarde, quer em negociações laborais, quer em discussões sobre a melhor forma de garantir o acesso dos jornalistas a fontes de informação públicas.

O Mascarenhas merece o Óscar, porque ao longo de toda a sua vida profissional de jornalistas sempre acreditou que a ética e a deontologia podiam fazer a diferença.

Muitas vezes não estivemos de acordo, porque Óscar Mascarenhas tinha uma visão mais tradicional do papel dos jornalistas, enquanto eu estava sempre atirado para as últimas modernices internacionais, fosse no âmbito da Organização Internacional do Trabalho, fosse nas instituições europeias.

Mas se hoje aqui estou a escrever como Provedor do Leitor, foi porque o Óscar Mascarenhas acreditou um dia e sobre essa questão mais bem informado do que eu, que os provedores, os ombundsmen, podiam fazer a diferença no mundo dos media, cada vez mais próximos da interatividade com quem os consome.

Teve também a sorte de encontrar diretores e administradores do Diário de Notícias, que compreenderam e aceitaram a sua visão e, por isso, pelo seu trabalho no Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas lhe rendo a mais sentida homenagem, já com saudades das intermináveis e filosóficas discussões que sempre tínhamos, quando nos encontrávamos.

A última vez foi no aniversário do “Setúbal na Rede”. Ficámos lado a lado durante o jantar e procurei convencê-lo a ajudar-nos num projeto da Associação Portuguesa de Imprensa para apoio a jornalistas desempregados e jovens jornalistas.

Sempre que me sento para escrever as minhas linhas de provedor, algures na minha consciência, está o Óscar e agora para sempre, a lembrança do Óscar Mascarenhas.

Aproveito ainda esta minha crónica para pedir aos meus leitores que se informem sobre a lei da cobertura das eleições, a lei da transparência da propriedade dos media, que voltam a estar em discussão esta semana na Assembleia da República e a revisão do Código da Publicidade, em consulta pública em http://www.portugal.gov.pt/media/9208182/20150507-me-cons-pub-codigo-publicidade.pdf, legislação muito importante para que nos possamos continuar a encontrar neste fórum aberto de discussão.

Como sempre, nestes casos, gostaria que os leitores mandassem as perguntas e as suas inquietações sobre estes temas.

Para o Mascarenhas deixo o Óscar, que o deve recordar para sempre.

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João Palmeiro

Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa

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