Foi notícia na imprensa a dívida dum partido que pretende governar o País, conforme se lê em título do EXPRESSO de 18.04.2015: “PS sem dinheiro renegoceia dívida com a banca: Partido pede empréstimo de €1,5 milhões para pagar campanha. Concelhias com rendas em atraso e água e luz cortadas. Dívida à banca de €11 milhões pode levar a hipoteca de sedes”.

Como pode um partido apresentar-se ao eleitorado de cara limpa quando pode aparecer na lista dos “calotes”? É evidente que estou a falar do mesmo partido que em tempos defendeu que as dívidas não constituem preocupação imediata pois o futuro decidirá sobre as mesmas. Um partido deve ser um exemplo de vida a seguir pelos seus eleitores. A moral e a ética esvaziam-se quando se vive para além da sua capacidade, quando toda a sua vida é uma dívida. A questão de fundo está na dívida à banca do Partido Socialista, melhor dizendo, como pode a banca ir adiando a cobrança da dívida quando para com os pobres, desempregados e reformados, não espera tempo que não seja o necessário para penhorar os salários, as pensões e os parcos bens.

Mas levanta-se a questão da transparência, isto é, não deveria o PS publicitar a estrutura da dívida, para que se possa avaliar da sua dependência de entidades bancária que podem beneficiar da fraqueza governativa? Será por isto que Ricardo Salgado falava de voz grossa para os governos socialistas? Seria importante saber qual a origem da dívida do PS para podermos avaliar de eventuais pontos fracos na gestão governativa. Direi que o financiamento dos partidos políticos junto da banca deveria ser proibida, pela promiscuidade que permite. “Quem não tem dinheiro não tem vícios”, como diz a sabedoria popular, verdade que deveria ser aplicada nos casos de ambição política. Conhecemos casos de pequenas industrias que estão sufocadas financeiramente pelas dívidas por financiamentos bancários. Conhecemos os partidos políticos que, sem moral, condenam os outros pelo não cumprimento dos seus compromissos bancários, não se preocupando com a razão, como o desemprego, a doença prolongada e todas as causas que a crise criou.

Mas um partido político pode estar em dívida para qualquer entidade bancária sem que nenhum mal venha ao mundo. A dívida não foi por qualquer das razões que apontei, mas por má gestão e endividamento excessivo. Será que o Partido Socialista está a pagar juros de usura em relação aos valores vencidos ou tem tratamento favorável, pois “favor com favor se paga”? Mais importante do que saber se o PS vai ou não pagar será conhecerem-se os contornos da dívida. Será que António Costa vai dar mostras de transparência e coloca na praça publica a verdade? Se o não fizer tenho a liberdade de pensar que um dia a dívida desaparecerá ou, melhor, será branqueada. Infelizmente, a vida política não sempre tem as mãos limpas.

Segundo o que se escreveu, o PS vai colocar à venda imóveis, procurando sanear a situação difícil que atravessa. Estamos a falar de imóveis que adquiriu, que lhe foram doados por entidades privadas ou que foram ocupados no tempo do PREC? É importante sabermos de que se está a falar, para que não haja poeira lançada para os nossos olhos.

Escrevi, há poucas semanas, uma crónica que tinha por título: “O dever é honra se o pagar for a brio”. Quando um partido político recorre ao endividamento bancário para satisfazer o bem estar da sua elite, no mínimo não tem honra. É urgente que haja legislação sobre a transparência nas contas dos partidos políticos e sua publicação. Deveria haver no portal do Governo um sítio em que os partidos políticos fossem obrigados a publicar as contas anuais e de cada eleição, devidamente aprovada por um T.O.C. e segundo normas que são aplicadas a entidades privadas e associações. Os partidos políticos deveriam ser o exemplo na arte de bem gerir, na transparência e na independência. Quem deve 11 milhões de euros aos glutões da banca está exposto a favores, pois com os banqueiros os favores têm um preço.

“Quem não tem dinheiro não tem vícios”, dizia acima, por isso recuso aceitar que seja permitido aos partidos políticos o recurso a financiamento bancário para venderem mentiras. Deveria ser vedado o acesso a esta forma de financiamento, porque se está a criar um processo perigoso, eticamente criticável, com uma promiscuidade condenável.

António Costa apresentou as medidas do PS para o desenvolvimento de Portugal e bem estar dos Portugueses. É o prometer mais do mesmo ou será que a equipe responsável pelo mesmo já teve que escrever o documento às escuras…

Fotografia de LendingMemo

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António Figueiredo

Gestor Reformado
Foi trabalhador estudante, licenciado e Executivo de três empresas multinacionais, tendo exercido cargos no exterior. Foi Oficial do Exército, casado com dois filhos, reformou-se aos 55 anos, após 40 anos de trabalho. Na pensamento político é social democrata. Dedica o tempo de reforma ao voluntariado social e foi durante dois mandatos presidente da UDIPSS de Setúbal.

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