Fomentar a política de casos é sempre uma má opção. Desvia as atenções do essencial e transforma o acessório no foco da questão. Inflama o debate de indignidade.


Vem isto a propósito do caso de incumprimento do Primeiro Ministro perante a Segurança Social. Só que este não é um caso. É, sem margem para dúvidas, o caso! O caso que não traz indignidade ao debate mas ao personagem que está no centro dele. Abordar, e não desistir de abordar, o aberrante acontecimento faz parte do essencial e não do acessório.


Não vou recuperar toda a triste história…Se Passos Coelho tinha ou não dinheiro, se tinha ou não esquecimentos, se desconhecia ou não a lei!


Certo e provado é que o Primeiro Ministro de Portugal, de seu nome Pedro Passos Coelho, sabia, pelo menos desde 2012, do incumprimento. Logo, conhecia a lei, deixou de estar esquecido e, admito , o ordenado de Primeiro Ministro deu-lhe condições financeiras para pagar. Não o fez. O incumprimento durou até à aproximação da pressão mediática.


Estamos a falar do líder de um orgão de soberania, a “cabeça” do Governo da Nação. Do homem que desde o início da legislatura comportava-se como o puro que vinha higienizar comportamentos. O homem dos discursos de reposição da moral e dos bons costumes. O tal que pertence a “uma raça de homens que paga o que deve”. O exemplo. Enfim, a figura que faltava a Portugal para pôr isto na ordem! A credibilidade em pessoa que, em consequência, podia apontar o dedo, exigir sem tréguas, culpar e penalizar sem julgamento. O cérebro do Governo que o Governo seguia.


Estamos a falar da conduta de um titular de orgão de soberania que vai no sentido oposto às exigências que faz aos cidadãos para o cumprimentos das políticas.


Diga o que disser, Passos Coelho perdeu a face. E como Passos Coelho não é “um qualquer”, mas o Chefe de Governo, o Governo perdeu a cabeça.

Fotografia de capa por More pictures and videos: [email protected]

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Eurídice Pereira

Deputada do PS eleita pelo distrito de Setúbal

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