Completa-se esta semana o quarto ano de estagnação dos projetos que davam à região de Setúbal centralidade no modelo de desenvolvimento de Portugal como fachada atlântica da Europa. Pior do que ter sido em causa uma ideia para a região por razões financeiras ou políticas é não existir qualquer modelo alternativo que se perceba para além da desistência e do abandono.


Perante a violência da desconstrução do consenso social em que se basearam quatro décadas de democracia a força prevalecente nas autarquias da região insiste numa contestação sem alternativa, numa convivência light com o Governo, na utilização da má prática central para replicar a nível local os enormes aumentos de impostos e na deliberada opção por ser passadeira vermelha da selvajaria liberal ao eleger o PS como inimigo principal olhando para o eleitorado de esquerda e para os trabalhadores como reféns do deu domínio politico senhorial.


Enquanto em Lisboa, António Costa devolve a parcela local do IRS às populações e usa o IMI como arma de promoção da reabilitação urbana, na Península de Setúbal todas as câmaras do PCP aplicam as taxas máximas dos impostos locais jogando com o desconhecimento para responsabilizar terceiros. O grande desafio da 2015 é o de fazer o teste do algodão à capacidade de diálogo à esquerda para criar alternativa à destruição do Estado Social sendo efetivamente parte da solução ou a renovação da opção pelo conforto do protesto dando razão aos que dizem que só à direita é possível construir soluções governativas estáveis.


Mas em final de ano é justo evidenciar alguns polos de resistência e esperança da região.


Destaco pelo seu combate à pobreza e desigualdade a liderança setubalense da Cáritas com Eugénio da Fonseca a assumir um papel de referência como voz de uma solidariedade lucida que não se deixa confundir com a caridadezinha.


Noutro plano a capacidade dos portos de Sines e de Setúbal para continuarem a ganhar mercado representando mais de 55% do movimento portuário nacional. Tal é ainda mais notável perante os graves prejuízos causados pela indefinição do Governo que cancelou e perdeu os fundos destinados à ligação ferroviária de Sines à Europa, adiada para lá de 2020, e estrangula os projetos de expansão do porto de Setúbal enquanto vai desenvolvendo miragens primeiro na Trafaria agora no Barreiro.


Deve também assinalar-se como sinal de esperança as duas associações empresariais recentemente constituídas na Península de Setúbal preenchendo o vazio deixado pela implosão da AERSET.


Finalmente a comprovação do papal central dos projetos de interesse nacional realizados na região para as exportações (refinaria da GALP e máquina de papel da PORTUCEL) os quais são desvalorizados pelo Governo quando são determinantes para o crescimento das vendas ao exterior e apontados como causa quando param para manutenção como sucedeu este ano com a unidade de Sines.


Uma última nota para a pedrada regional do colapso do BES que confirmou a paralisia dos projetos turísticos do litoral alentejano. Há que parar para pensar e definir um programa de longo prazo para a consolidação do mais promissor polo turístico português.


Mas em 2015 a esperança na mudança estará nas mãos dos portugueses com recurso à arma do voto. Faltam poucos e decisivos meses não podemos desperdiçar a oportunidade para iniciar um novo caminho. Um 2015 de esperança para todos.

Fotografia de capa por striatic

The following two tabs change content below.
ecabrita@setubalnarede.pt'

Eduardo Cabrita

Deputado do PS eleito pelo distrito de Setúbal
ecabrita@setubalnarede.pt'

Últimos textos de Eduardo Cabrita (ver todos)