A Igreja de S. Julião e outras fachadas…


Nós, os setubalenses, sempre tivemos um mau hábito, que já está instalado há largos anos. Somos demasiadamente críticos e detractores da imagem da nossa cidade, dos acontecimentos que ocorrem nesta terra e, sobretudo, não valorizamos adequadamente as coisas que vão por cá acontecendo.


Mas isso tem uma justificação. Somos já poucos os que se podem gabar de ter nascido em Setúbal e, como tal, não sentem verdadeiramente a sua cidade. Alheamo-nos ou voltamos as costas para integrar núcleos, tertúlias, movimentos, associações, organismos etc. que representem os nossos interesses. Dou um exemplo: sou do tempo (recentemente entrei na faixa etária dos que têm desconto nas viagens da CP…) em que o Governador Civil era de Setúbal, o Presidente da Câmara era de Setúbal, todos os Presidentes das Juntas de Freguesia eram de Setúbal, o Capitão do Porto era de Setúbal, o Presidente da Junta Autónoma do Porto era de Setúbal, o Presidente do Vitória assim o era, e por aí adiante.


Olhemos para o “panorama” nas últimas duas ou três décadas e, sem desprimor para quem ocupou e ocupa actualmente esses lugares, com a exceção do Presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (ex-Junta Autónoma do Porto de Setúbal), o Dr. Vítor Caldeirinha – que muito tem feito pela recuperação da frente ribeirinha, entre outras iniciativas – verificamos que não são os setubalenses de gema que protagonizam essas lideranças. Mérito também à CMS, particularmente à pessoa da sua Presidente, que não sendo de Setúbal, tem sabido olhar por esta cidade. Goste-se ou não da coloração partidária de quem há anos assumiu as rédeas do Município.


Não obstante, Setúbal está mais bonita, é um facto. Mais atrativa, mais limpa e mais luminosa. Quer por força das múltiplas iniciativas pessoais e coletivas, quer ainda por um “fenómeno” recente que dá pelo nome de “Mar Salgado”. Dizia-me há dias um amigo de longa data que é dono de uma embarcação de recreio que promove passeios pelo Rio Sado: “…desde que a telenovela começou a ser rodada em Setúbal, que não paro de receber marcações para os passeios no Sado, incluindo costa da Tróia e Arrábida e observação dos golfinhos…”. Idêntica noção têm alguns dos proprietários de restaurantes que usualmente frequento e que são unânimes em afirmar que a procura está a subir exponencialmente.


Menos bonitas estão as fachadas da Igreja de S. Julião. Sendo a Praça de Bocage um local extremamente visitado e porventura o ex-libris da Cidade, não se entende como apresenta no seu enquadramento circundante um edifício que, para além de ser um lugar de culto habitual e de visita constante, num estado exterior de quase degradação e nada apelativo em termos de imagem. Não sendo eu conhecedor de quem possa deitar mãos à obra (leia-se pintura), creio que pela via da Diocese ou do Patriarcado, poderão haver mecanismos para embelezar as paredes desta Igreja. Fica o reparo.


Só mais uma achega para que Setúbal fica verdadeiramente ainda mais bonita, sem grandes custos. É uma mera sugestão. Aliás, na sequência de ações que já foram levadas a cabo, no âmbito de projetos de requalificação de espaços urbanos e que resultaram em êxito, com o envolvimento da CMS, de empresas e instituições e de uma significativa aderência de voluntários.


Estou a referir-me às fachadas de prédios sitos na zona de Troino, na zona do Bairro Santos Nicolau e outros por aí dispersos.


Aqui vai:


1 – Sensibilizar os proprietários e/ou os inquilinos em contribuírem com uma pequena participação para adquirirem as tintas a fornecer por empresas fabricantes ou distribuidoras;


2 – A Câmara Municipal de Setúbal instalava os andaimes;


3 – Grupos de voluntários ou reclusos (em regime aberto) fariam o resto, ou melhor, preparavam as paredes e aplicavam as tintas.


Poderá parecer uma ideia megalómana ou deslocada de exequibilidade, mas não custa nada tentar.


Não sendo meu hábito, desta vez, vou enviar cópias deste meu escrito para a Diocese de Setúbal e para o Gabinete da Srª. Presidente da CMS.


Saudações sadinas.


Fotografia de capa por guymoll

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Álvaro Oliveira

Técnico de Logística e Transportes e ex-Gestor - Reformado

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