É claustrofóbico pensar que poderá não haver dia de amanhã porque ela não estaria cá.

Estou dependente. Não tenho a minha individualidade, já. Bom, talvez só o bocadinho que é preciso. Tenho muito medo de perdê-la. Que um dia ela acorde e diga: “Olha, isto foi uma bonita história, mas…”. Assusto-me sempre que ela muda… Por exemplo: ela gosta daquela específica cápsula de café. Depois passa a detestá-la. E eu penso: “Mau. Ai ai. O teu gostar tornou-se volúvel?”. Mas não. As coisas apenas perdem a qualidade (na opinião dela) e desaparecem da sua vida. Qual é, então, o segredo? É eu não perder a qualidade.

E estar dependente dela não me torna uma espécie de “filhinho”. Tornou-me uma espécie “rara”, apenas isso… um companheiro, talvez. Um companheiro-dependente! Um homem que depende do título de companhia. Um homem mimado, muito “mimocas” e dependente de mimos. Muitos mimos. Mimos que faltam. Que não faltam. Que continuam a fazer falta. Sempre.

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Olavo Nóbrega

Ator e encenador
Ator, mas também encenador. Orienta (de)formações em expressão dramática. Gosta de conhecer pessoas. Não come carne.

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