Em todo o País, em todo o distrito de Setúbal e, ainda agora, com particular evidência no Hospital Garcia de Orta, em Almada, a situação na área da saúde é profundamente preocupante.

   

Dez ou vinte horas de espera para atendimento na urgência, dezenas de doentes em macas porque não têm espaço no internamento, reduzido número de médicos, equipas com grande peso de internos do primeiro ano atirados sem o apoio e enquadramento necessários, são alguns dos aspectos mais gritantes com que estamos confrontados.

   

Os seis chefes de equipa responsáveis pela urgência do Hospital Garcia de Orta, anunciaram a sua demissão fazendo um forte alerta. O Presidente da Secção do Sul da Ordem dos Médicos identificou a situação que se vive nos hospitais, designadamente nas urgências, como de medicina de guerra. Estão a ser ultrapassados todos os limites.

   

Os problemas existentes não resultam de uma afluência excepcional em pico de gripe, resultam dum processo sistemático, iniciado pelo Governo PS e agravado pelo actual governo PSD/CDS-PP. Um processo de desinvestimento e cortes brutais, com encerramento e redução dos horários de funcionamento dos centros de saúde, encerramento de serviços e diminuição do número de profissionais de saúde, que coloca o Serviço Nacional de Saúde em permanente ruptura. Uma ruptura que se agrava nos períodos de maior necessidade das populações. Os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde dão o melhor si, mas muitos deles estão exaustos e correm eles próprios riscos de esgotamento físico e psicológico.

   

Estamos perante uma estratégia que cria insegurança, degrada a prestação dos cuidados de saúde e conduz a mortes antecipadas. É o direito à saúde e o próprio direito à vida que estão a ser postos em causa. E tudo isto, não porque não haja dinheiro, mas porque os recursos públicos, estão a ser canalizados a favor do lucro dos grupos económicos e financeiros, da especulação e do saque ao País de milhares de milhões de euros em juros de uma dívida em grande parte ilegítima drenados ao serviço do capital financeiro transnacional.

   

Sobre a situação nos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, há muito está avaliado que o Hospital Garcia de Orta não tem capacidade de resposta e que, independentemente de todas as medidas mais imediatas, quanto aos serviços do hospital e ao restabelecimento da capacidade dos centros de saúde da região, é essencial e urgente a construção do novo hospital no Concelho do Seixal.

   

A população, as comissões de utentes, as autarquias, nomeadamente as câmaras municipais de Almada, Seixal e Sesimbra, têm-se manifestado numa intensa acção de protesto e reivindicação para encontrar soluções, como mais uma vez sucedeu no passado fim de semana.

   

O PCP, designadamente através do Grupo Parlamentar na Assembleia da República, tem questionado o Governo e tem apresentado soluções, quer quanto à resposta geral do SNS, quer quanto aos centros de saúde, quer ainda quanto à construção do novo hospital no concelho do Seixal e vai continuar a fazê-lo. No imediato chamou o Ministro da Saúde à Comissão da Saúde da Assembleia da República para o confrontar com a situação e exigir medidas, decidiu a realização duma audição pública e apresentou um projecto-lei para garantir a contratação de profissionais para o SNS, de modo a responder às necessidades e a combater a precariedade, a instabilidade e o negócio do recurso a empresas de trabalho temporário.

   
Na situação que se vive, estão à vista as consequências da política de direita da responsabilidade do PS, PSD e CDS-PP, agravadas com os PEC e o Pacto de agressão com a troica, que continuam e querem perpetuar.

   

Por muita propaganda enganosa que façam, perante a devastação que se vê nos mais diversos sectores da vida nacional, é cada vez mais evidente a necessidade da ruptura com a política de direita e da concretização da política patriótica e de esquerda que o PCP propõe.

   

Face ao rumo de exploração, empobrecimento e declínio nacional, está nas mãos do povo português, com a sua luta e com o seu voto, abrir um caminho vinculado aos valores de Abril e, pela sua parte, o PCP tem soluções para o País e está preparado para assumir todas as responsabilidades que o povo português entenda atribuir-lhe.Fotografia de capa por Fotos GOVBA

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Francisco Lopes

Membro da Comissão Política e do Secretariado do CC do PCP
Nasceu em Vinhó, concelho de Arganil em 1955. Desenvolveu actividade associativa no movimento estudantil no Instituto Industrial de Lisboa (actual ISEL) e foi activista do Movimento Democrático tendo no âmbito dessa acção participado no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, em 1973. Foi membro da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em 1973 e 74 e é membro do PCP desde 1974. A sua profissão é electricista, trabalhou na Applied Magnetics, onde pertenceu à Comissão de Trabalhadores e à célula do PCP da empresa. É funcionário do PCP, integra a Comissão Política e o Secretariado do Comité Central, assume a responsabilidade pela Área do Movimento Operário, Sindical e das Questões Laborais e pelas Questões da Organização Partidária e, entre outras tarefas que desempenhou, foi responsável da Organização Regional de Setúbal do PCP. Foi candidato a Presidente da República nas eleições de 2011 e é deputado à Assembleia da República eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal.

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