Não está a ser fácil qualificar as recentes exibições do Vitória porque o denominador comum é sem chama nem glória quer com equipas superiores a nós, quer com as do nosso campeonato, quer com aquelas que sabemos ser inferiores. São muitas derrotas seguidas a deixar os associados com os cabelos em pé e manifestamente preocupados com o não amealhar de pontos que nos permitam estar a salvo de percalços e do espectro da descida.

Temos muito poucos pontos e o que ainda nos vai aguentando é o facto dos nossos adversários virem, igualmente, a não pontuar e, como tal, ficando ainda mais atrás do nosso emblema.

Diz-me, no entanto, a experiência que esta situação pode ser sol de pouca dura e, por isso, mas mais vale prevenir do que remediar, ou seja, é preciso urgentemente inverter o rumo dos acontecimentos e começar a pontuar de preferência alcançando os 3 pontos da vitória para que possamos, ainda antes do Natal, ter paz e sossego.

Ainda assim, para que isso seja uma realidade, não podemos nem devemos continuar a jogar como até aqui o temos feito onde, em regra, não criamos oportunidades de perigo e, muito menos, flagrantes ou eminentes de golo. Tem sido, invariavelmente, assim e o jogo com o Estoril não alterou a normalidade de uma equipa medíocre, sem rumo, sem comandante em campo e sem alternativas que pudessem criar alguma esperança de que poderíamos virar o resultado ou, pelo menos, eliminar o prejuízo. Aliás, até nem foi preciso o Estoril fazer muito para nos ganhar mesmo cansados, ao contrário de nós, que estamos fora de praticamente todas as outras competições além da Liga.

Começa-me, por conseguinte, a faltar a inspiração para arranjar sequer títulos que espelhem o meu desagrado e revolta pelas performances do meu Clube que muitos jogadores tem mas, muitos deles, e com todo o respeito, não têm categoria para jogar no Vitória. Não tenho qualquer rebuço em dizê-lo e só espero que, em janeiro, haja condições para algumas contratações sob pena de o sofrimento poder aumentar no desenrolar do caminho normal da competição principal onde estamos inseridos.

É claro que o ideal será que esteja errado nesta minha reflexão pois não só não me caem os parentes à lama como também terei a humildade de dizer que me enganei e que não percebo nada da poda.

Virando a página e porque nem tudo é mau, ainda bem, uma nota para o “Núcleo Valores Fidelis Causa – Golfinho Verde”, uma tradição já a caminho dos 11 anos das Velhas Glórias do Vitória que mais uma vez distribuiu os Golfinhos mesmo sem a presença de qualquer elemento da Direção o que motivou alguns reparos e tristeza por aqueles que sentem o Clube. Foi uma festa bonita aquela a que tive o prazer e honra de assistir até porque convivi com muitos daqueles que contribuíram decisivamente para levar o nome do Vitória Futebol Clube bem longe, elevando-o a um estatuto ímpar no panorama desportivo nacional e além-fronteiras. Dúvidas não restam que a alma deste grupo é enorme como o Vitória e merece reconhecimento e apoio nem que seja com o carinho e estímulo dos dirigentes.

Aqui Vos deixo, para memória futura, o registo dos distinguidos e galardoados:

Categoria Jogador Histórico: Félix Guerreiro;

Categoria Jogador Atual: Frederico Venâncio;

Categoria Honra e Prestígio: António Vaz;

Categoria Dedicação: José Lima;

Categoria Personalidade: Deolinda de Jesus;

Recordação Título Póstumo: Quim;

Entidade e Instituição: Novotel;

Diplomas de Mérito: José Carinhas e Júlio Godinho.

Dos vivos estiveram todos presentes e foi com fervor clubístico que muitas foram as palmas para o eterno massagista, José Lima que, mesmo em cadeira de rodas, não deixou de dizer presente quando se falou do seu clube do coração que mais no coração lhe ficou quando foi rodeado por todos os atletas que as suas mãos trataram e acarinharam e com eles tirou uma fotografia para a posteridade.

E, acrescento eu: Tão bem que ela ficaria no museu do Vitória ou no Estádio num dos locais onde a história do V.F.C. vem sendo contada.

Do passado se faz o presente e no presente se honram os antepassados.

Cá estarei, mais uma vez, para a semana e ainda que não possa assistir ao jogo com o Boavista, tenho fé que conseguiremos derrotar as panteras com mais ou menos dificuldades.

Até lá, um abraço.

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Rui Chumbita Nunes

Advogado

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