PSD e CDS foram a candidatura que teve mais votos nestas eleições. Mas nunca a direita teve um resultado tão baixo.

A coligação de direita perdeu a maioria absoluta. Perdeu cerca de 12 pontos percentuais. Perdeu mais de 730.000 votos. Perdeu 22 ou 23 deputados.

Um elevado número de portugueses que votaram PSD ou CDS em 2011 (um em cada quatro), abandonou agora do voto à direita, manifestando uma condenação da governação do PSD-CDS e uma condenação das políticas de austeridade. A base de apoio da direita encolheu.

O Bloco de Esquerda foi a força política que mais cresceu no país. Cresceu em todos os concelhos, retirou votos à direita e é hoje a terceira força política em Portugal. Teve o seu melhor resultado eleitoral de sempre. O resultado histórico do Bloco de Esquerda, recorde de votos, recorde de mandatos, é um voto de confiança de quem não desistiu do país, de quem viu no BE, a vontade a e capacidade para defender o que interessa: o salário, o emprego, a dignidade.

Os partidos que tiveram 3 milhões de eleitores, que têm hoje mais de 50% dos deputados na Assembleia da República, fizeram a sua campanha prometendo uma rutura com o ciclo da direita. É preciso que hoje sejamos consequentes com o que foi a campanha eleitoral.

O que o país espera é que seja possível criar condições de estabilidade no Governo, que rompa com o ciclo da direita e que permita uma outra esperança e uma outra forma de olhar para o futuro no nosso país.

O país vive hoje a situação surrealista de serem o Bloco e o PCP a dizerem a António Costa para se apresentar como chefe de um governo alternativo à direita, enquanto este declarou, na noite eleitoral, que deve ser a direita a governar.

Não será pelo Bloco de Esquerda que a direita conseguirá formar governo. Uma coligação PSD/CDS minoritária não será governo em Portugal, se o PS abandonar os seus compromissos com a direita e dialogar com o Bloco e o PCP.

É possível criar uma solução de Governo (alternativa à direita) com estabilidade.

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Álvaro Arranja

Membro das coordenadoras distrital e concelhia de Setúbal do BE
Álvaro Arranja, 55 anos, professor e historiador, ex-deputado municipal do BE em Setúbal, autor de diversos livros sobre a história da 1ª República e do movimento operário e sobre a história de Setúbal. Vice-Presidente do Centro de Estudos Bocageanos. Ex-membro da direção do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa.
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