Conheço alguém que está com uma pneumonia. Uma pneumonia “atípica” (em conformidade com a própria pessoa). Apetece-me falar disto: pneumonias e pessoas. E porquê? Porque sou um homem apaixonado! Não pelas primeiras, é claro, mas por pessoas em geral. E um homem apaixonado acredita em tudo: chega até a acreditar que o amor cura e tudo vence. Vai daí e quando outras pessoas “fogem” da pessoa com pneumonia (não vá aquela tosse ser infecciosa), eu mantenho-me a respirar. Opto por respirar a pessoa. A vida. Respiro-a sempre. Mesmo quando ela usa uma máscara (não vá ela infetar toda uma família), mesmo quando os médicos garantem que a tal pneumonia até pode ser transmissível (o que desencadeia um movimento de cidadãos que pede o internamento da pessoa).
   
Quero ir no sentido oposto. E respirar. Respirar é um verbo que, por pessoas, não precisa de nenhum motivo que não o de querer apenas estar! E quando voltamos à médica (eu, a pessoa infetada e o ar que respiramos juntos), a médica observa atentamente uma radiografia e explica-nos meticulosamente o que observa naqueles pulmões: “Fique descansada, pode brincar à vontade com o seu filho que ele não correrá qualquer risco de ser infetado”.
   
E eu sorrio. Aquela criança será mais um ser a respirar Vida (com direito a maiúsculas). É então que o olhar da Sra. Dra. repara num outro órgão, o coração. “Você tem um coração limpo”, diz à mulher sentada ao meu lado, a tal da pneumonia. “Pudera, anda hiperventilada de Vida”, penso eu, mas não digo…
   
Fotografia de capa por owlpacino

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Olavo Nóbrega

Ator e encenador
Ator, mas também encenador. Orienta (de)formações em expressão dramática. Gosta de conhecer pessoas. Não come carne.

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