Ao fim de seis anos de crise global do sistema financeiro enquanto os Estados Unidos reagem com vigor, o Japão lambe as feridas e os países emergentes conquistam terreno na economia mundial. Mas a Europa parece ser a exceção de gigante doente e cada vez mais anão político.


Depois da salvação dos bancos irlandeses, britânicos ou holandeses com recurso a nacionalizações destinadas a socializar os prejuízos o revisionismo liberal acentuou as deficiências de construção do Euro e lançou-se numa cavalgada destinada a destruir o modelo social europeu.


Por razões de politiquice doméstica Cavaco no lamentável discurso de tomada de posse esqueceu a dimensão europeia da crise e deu fogo à crise política que permitiu realizar o velho sonho da direita de acumular um Governo, uma maioria e um Presidente.


Ao fim de todo este tempo a Europa vive a sua maior crise de identidade entre a descrença num projeto comum que se esboroou e a multiplicação de forças extremistas ou populistas que só têm em comum a vulgata antieuropeia.


Ao fim de anos de tratamento de choque Draghi e o BCE tornaram-se heróis improváveis da salvação do sonho europeu. A declaração de tudo fazer para salvar a moeda única abriu o caminho do alívio dos juros da dívida pública que está hoje a níveis negativos em alguns países e prazos.


Mas a receita baseada na fé na austeridade expansionista levou a Europa a vegetar entre a estagnação e a deflação. Daí estarmos a passar por uma lentíssima mudança da tendência dominante no discurso europeu que ainda mal se sente na economia real.


O BCE lançou um novo caminho de aumento da liquidez posta ao serviço da economia e pela novidade de compra de dívida pública. Portugal poderá beneficiar direta ou indiretamente mas a surpresa foi que qual extremista finlandês Passos Coelho tentou até ao limite travar e menorizar esta histórica evolução no sentido de termos um banco central europeu a dinamizar a economia.


Igualmente a nova Comissão europeia tem como grande prioridade a redescoberta do papel fundamental do investimento público e abriu um caminho para a flexibilização das regras de interpretação do Tratado Orçamental. Novamente o escândalo é a diabolização do investimento pelo Governo português e a tendência para agarrados ao orgulho de “ir além da troika” subestimar igualmente estas tendências de esperança para países tão carentes de iniciativas criadoras de emprego como é o caso de Portugal.


Silva Peneda e os parceiros sociais têm insistido na urgência de criar uma frente europeia para criar uma alternativa à austeridade reunindo para além de Portugal países como a Irlanda, a Espanha, a Bélgica ou a Itália.

A Grécia abriu uma nova janela de esperança para a Europa que poderá atropelar Passos que insiste em fazer manobras perigosas em contramão com as expetativas dos portugueses.

Fotografia de capa por More pictures and videos: [email protected]

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Eduardo Cabrita

Deputado do PS eleito pelo distrito de Setúbal
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