O emblemático Bairro da Nossa Senhora da Conceição, inaugurado em 1949, tem, ao longo destes 65 anos, albergado inúmeras famílias distintas desta cidade. Porventura a segunda e terceira geração desses primeiros inquilinos e alguns dos que, mais recentemente, adquiriram aquelas belas moradias, estão a dar-lhes uma forma modernizada e a reabilitá-las sem que se lhes tenha sido alterada a traça original, o que vem embelezar ainda mais o único bairro de vivendas dentro da cidade de Setúbal.

Eu sinto-me um dos privilegiados.

Os que aqui residem, são unânimes em afirmar que se trata de um bairro tranquilo e seguro, caracterizado por uma salutar convivência entre os que cá habitam e se conhecem praticamente todos uns aos outros.

É vulgar ver-se os residentes a fazer a manutenção das suas casas, apoiados pelos seus familiares e amigos, com equipamentos e ferramentas que religiosamente guardam nas suas amplas garagens e que conferem uma ambiência muito “sui generis” a este Bairro.

Existe também uma profusão arbórea invulgar, salpicada das muitas árvores que os quintais ostentam, e que tão bem cuidadas estão, sejam elas as laranjeiras, os limoeiros, as nespereiras, as oliveiras, as amendoeiras, os pessegueiros, os roseirais e outras belas flores.

Primamos pois pela imagem, pela higiene, pela harmonia e pelo bem-estar dos que aqui residem e daqueles que nos visitam.

Procuramos sempre ter um bairro à nossa semelhança.

Pena só que, ao contrário do que há anos sucedia, se tenha deixado que os passeios, as caldeiras das árvores exteriores, as quinas dos prédios, os lancis e as soleiras dos portões, sejam infestados com ervas daninhas que crescem a modos de ver, imparáveis, mais parecendo um matagal, local bem apropriado para canídeos e gatídeos exercitarem a ginástica própria da sua génese e ocultarem os ditos cujos…

O varredor (es) de serviço, mais propriamente um que invariavelmente pede as horas aos residentes que passam, várias vezes ao dia, bem poderia arrancar as ervinhas com um sacho ou qualquer outro instrumento a fornecer pela sua magnânima Junta de Freguesia; mas ao que se apurou, essa não é mais tarefa que lhe caiba.

Resta-nos esperar pois pelo dia que uma brigada munida de herbicidas sistémicos injecte o produto para eliminar estes infestantes, deixando-o actuar (muitas vezes sem vermos o efeito, tal não é a qualidade da daninha) e alertando-nos para os malefícios que provoca aos nossos animais domésticos, suscitando a dúvida se os podemos trazer á rua ou antes levá-los á praia ou à serra, durante o período de activação do produto.

Tenho reparado que não só no meu Bairro isto acontece, mas cá de nós tratamos nós mesmos.

Até porque as varreduras são praticamente inexistentes, o que facilita muito o trabalho ao funcionário(s) já referido. Sim, porque os lixos, com o vento, acabam por ficar retidos nas ervas, não lhe sendo praticamente possível removê-los destas pequenas “florestas urbanas”. Quando o tenta fazer, lá vai levantando umas quantas pedras da calçada que dificilmente serão repostas nos meses seguintes, sendo pior a emenda que o soneto.

Já se tentou mobilizar uma equipe de residentes para dar combate ás “daninhas” mas, pensando bem, achamos que essa missão deve ser atribuída a especialistas, tecnicamente bem treinados, credenciados e voluntariosos. Isto porque, ao que parece, os actuais varredores da Junta de Freguesia (profissão que muito respeitamos) já não têm formação para tal ou então não lhes está a ser atribuído em funções esta vertente de serviço.

Um País, uma Cidade, um Bairro, quer-se bonito, cuidado e apelativo. Somos nós cidadãos que temos essa responsabilidade. Mas igualmente com a ajuda dos que ganham os seus salários á nossa custa, dos que estão em lugares elegidos por nós, dos que vivem e sobrevivem em harmonia com uma sociedade de que não se podem alhear.
Vamos a ver se nos entendemos!

Nota: o autor não escreve com o Novo Acordo Ortográfico.
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Álvaro Oliveira

Técnico de Logística e Transportes e ex-Gestor - Reformado

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