Os dados estatísticos do 2º trimestre agora publicados pela análise de conjuntura da FEPICOP – Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas ficaram marcados pela confirmação da inversão dos indicadores que medem a evolução da atividade da construção pelo segundo trimestre consecutivo, dado que só encontra paralelo no ano de 2007. Aguardamos agora os dados do 3º trimestre, provavelmente condicionados pelo clima de instabilidade politica, que poderá comprometer o nível de confiança e perspetivas de evolução da atividade dos empresários da construção registado no final do primeiro semestre, para confirmar esta tendência de recuperação que esperamos ser real.

Será justo poder falar de inversão desta já longa crise, embora a mesma seja suportada pelo investimento privado e dinamismo dos nossos empresários na recuperação do mercado da habitação que quase está a renascer, com um aumento de 5,8% do número de licenciamentos de habitação nova e o número de habitações transacionadas a aumentar 31,4% face a igual período de 2014, com correspondência direta ao aumento de 58,6% no crédito à aquisição de habitação. Mas as notícias favoráveis ainda vão mais longe, com o emprego na construção também a aumentar na ordem dos 4,5%, conseguindo recuperar cerca de 12.800 postos de trabalho nesse período, contribuição desta indústria para a baixa da taxa do desemprego no nosso país.

Menos favorável nesta primeira metade do ano foi a prestação do mercado das obras públicas, com quebra mais ou menos acentuada em todos os dados estatísticos, contratos adjudicados, respetivo valor e ainda nos concursos lançados, que não deixou o setor recuperar ainda mais, pela pressão das eleições legislativas e do impasse politico que se avizinhava.

A grande questão para este final de ano será a prestação da economia portuguesa, pelas eleições e os constrangimentos dos resultados que poderão fazer o nosso país perder tempo no esforço de continuidade de desenvolvimento económico, seja com a esquerda ou com a direita, pois não podemos dar-nos ao luxo de perder o rumo, qualquer que seja o caminho que vier a ser tomado.

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Alfredo Lopes

Diretor Executivo Regional AECOPS

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