(Tributo aos Vitorianos)

Mário Regalado, que genialmente compôs e musicou o que se pode considerar o hino da cidade de Setúbal – O RIO AZUL – num poema eximiamente escrito pelo galego Laureano Rocha, estaria longe de pensar que, decorridos tantos anos, a cidade que o viu nascer e inspirou, insiste em continuar a não colorir de alegrias os seus conterrâneos.
Dizia há dias, um também grande setubalense, numa tertúlia citadina onde eu estava presente (cito) “… que a cidade está a morrer aos poucos, devagarinho, lentamente, com uma suavidade tal que nem se nota; notava-se sim se fosse repentino e imediato..” Nada mais verdadeiro.
Será porque os verdadeiros setubalenses se alheiam de uma participação efectiva (e afectiva) da cidade? Será por factores exógenos que muitos atribuem á proximidade com a capital? Será porque deixámos de ser bairristas e genuínos?  Especule-se com as mais variegados motivos, mas o que é certo é que não fora o RIO AZUL que permanece imutável nas suas cores deslumbrantes, pouco mais ou nada mesmo nos enche de orgulho.
Vem tal a propósito de dizer que os corações dos setubalenses (mesmo aqueles que não sendo vitorianos de gema) têm vindo a ser colocados perante um panorama nada condicente com os tradicionais pergaminhos dum clube que tem um historial que remonta quase paralelamente á Implantação da República Portuguesa – 106 anos !
Uma vez mais, neste campeonato a cena repetiu-se inexoravelmente, sem glória e sem mérito.
Andamos, nos últimos anos, ao sabor da inépcia e imperícia de uma estirpe dirigente desportiva que não tem classe nem capacidade para liderar os desígnios de um clube com tanto historial, repito
Provavelmente estou a ficar velho quando faço esta afirmação, mas não a posso deixar de a extremar:
Sou do tempo que á frente da Câmara Municipal de Setúbal estava um setubalense, no Governo Civil estava igualmente um setubalense, os presidentes das juntas de freguesia também eram de Setúbal, o Porto de Setúbal era liderado por uma figura de Setúbal, as colectividades, todas elas, eram conduzidas por setubalenses, e o Vitoria Futebol Clube não era excepção.
Pode estar aqui porventura o motivo dos nossos continuados insucessos ?
Falo por mim, que me orgulho de ser Português, de Setúbal e da freguesia da Anunciada, mas que constantemente tenho dificuldade em perceber porque é que não “existe um rio azul igual ao meu…”
Força Vitória !
Saudações setubalenses

Fotografia de andrellv

Álvaro Oliveira

Técnico de Logística e Transportes e ex-Gestor - Reformado