É muito pouca a notícia que corre na imprensa sobre os clubes de serviço em Portugal, estou-me a referir aos clubes Lions e Rotary. Há algum tempo um jovem perguntava-me se o Clube Lions do Seixal era alguma delegação do Sporting!… O Lions Clube é um movimento mundial que segue o lema so seu fundador Melvin Jones: “Você não pode ir muito longe se não fizer algo pelo seu semelhante”.

Como fundador do Lions Clube do Seixal sinto a obrigação de dar um contributo, pelo uso desta crónica, sobre o que é o movimento Lions em Portugal e no mundo. O movimento surge em Dallas, Texas, USA, pelo empresário do ramo de seguros, MELVIN JONES, que em 10 de Outubro de 1917 funda o Lions, com o slogan “Liberdade, Igualdade, Ordem, Nacionalismo e Serviço”. Hoje é um movimento que congrega Homens e Mulheres, mundialmente 1.400.000, voluntariamente organizados nos 44.500 Clubes que existem em 200 países. Trabalham para ajudar a comunidade, em que se insere cada Clube Lions, na resolução de problemas sociais, trabalho que é desenvolvido segundo um Código de Ética e Objetivos, recusando o partidarismo político e o sectarismo religioso. Em Portugal o movimento concretizou-se a 4 de Dezembro de 1953, com a fundação do Lions Clube de Lisboa Host, e o movimento congrega hoje, em Portugal, 3.200 membros, organizados em 116 Clubes Lions, podendo encontrar 36 Clubes no Distrito de Setúbal.

O enfoque da grande missão dos Clubes é “criar e fomentar o espírito de compreensão entre os Homens da Terra”, por isso um movimento globalizante, muito antes da globalização. Através do Clube Lions Internacional, o movimento mantem programas sociais globais, em que ressalto o Programa de Combate à Cegueira e em que através do Banco de Olhos dos Lions são realizadas 20.000 transplantes de córneas por ano. Refiro que no “Sight First II” o Lions Internacional aplicou cerca de 200 milhões de dólares no combate à cegueira. Toda esta dimensão é feita com grande humildade e, por isso, o movimento está afastado do ímpeto noticioso. Na verdade, no Código de Ética do Lions International encontramos o princípio de “servir e não servir-se”, que pudemos entender como praticar o bem sem que dessa prática se faça grande exploração de marca.

Outro dos objetivos do Lions International expressa que cada membro tenha “um interesse ativo pelo bem-estar cívico, cultural, social e moral da comunidade” e em que cada um tenha a missão de “incentivar pessoas interessadas em prestação de serviços a servir a sua comunidade sem recompensa financeira pessoal…”. É neste âmbito do espírito dos objetivos do movimento que em cada comunidade encontramos um anónimo serviço social à comunidade mais carenciada. Encontramos, ainda, no Código de Ética do Lions o preceito de que cada Lion deve “estar sempre pronto a ajudar o próximo, a consolar o aflito, a socorrer o necessitado e a amparar o humilde”, pelo que o Lionismo é um movimento de solidariedade. Em Portugal encontramos programas que constituem oportunidade para jovens, como a bolsa de estudos para jovens com necessidades sociais mas com potencial de desenvolvimento, o serviço de apoio a crianças, o “Lion Quest” que é um programa de recusa de drogas, álcool e prostituição e que se desenvolve, essencialmente, em colaboração com as escolas, os acampamentos e intercâmbio internacional de jovens e, ainda, o concurso do cartaz da Paz. E para as comunidades a recolha de bens alimentares…

Existe um estigma em relação aos Clubes Lions, normalmente criando-se a imagem de grupo formado por pessoas priveligiadas, funcionando num modelo maçónico. Quem assim pensa comete o grave erro pelo desconhecimento da vida dos Clubes Lions. O funcionamento é aberto a toda a comunidade, não havendo reuniões fechadas ou secretas, característica dos maçónicos. O Clube tem mensalmente uma reunião de Direção e um almoço ou jantar que ocorre num restaurante da comunidade, sem qualquer reserva de admissão a quem procure estar no convívio do Lionismo. Nos objetivos do Lions International encontra-se o preceito de “incentivar pessoas em prestação de serviços a servir a sua comunidade” por meio de parcerias com o serviço social das autarquias, as instituições particulares de solidariedade social e outras associações comuntárias com práticas culturais, desportivas e sociais.

Não estamos em presença de grupos privilegiados embora se tenha de aceitar que uma condição de admissão é a liderança e capacidade de “incentivar e promover altos padrões éticos no comércio, na indústria, nas profissões e nos serviços públicos”.Daqui resulta que existe algum elitismo que não se pode confundir com grupo de priveligiados. Mas, nos Clubes Lions encontram-se com facilidade membros que preenchem o requisito de liderança em profissões que “honra, dignifica e impões ao respeito alheio”, conforma resulta do Código de Ética do Lions. Não são os Clubes Lions constituídos por grupos sociais privilegiados, pois um dos problemas que atravessam é exatamente a redução de número de sócios por haver quem, pela crise que atinge indiscriminadamente a sociedade, abandona os clubes por razões de escassez de recursos financeiros.

Direi que o movimento Lionistico fomenta o bom companheirismo entre os membros e promove o coração solidário que existe em cada um deles. É preciso construir um mundo melhor e nessa construção participam todos os “voluntários que possam servir suas comunidades, atender às necessidades humanas, fomentar a paz e promover a compreensão mundial”, conforme a Declaração de Missão dos Lions, que pode estar no espírito do leitor que lê esta crónica. Se se juntar ao Clube Lions mais próximo está a contribuir para um mundo melhor. Como disse o fundador do Lions Clube International, .

Os clubes de serviços são pessoas de boa vontade, voluntários, tantas vezes anónimos mas que “muito dão a quem nada devem”, a não ser a solidariedade e espírito de humildade perante o Bem Comum.

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António Figueiredo

Gestor Reformado
Foi trabalhador estudante, licenciado e Executivo de três empresas multinacionais, tendo exercido cargos no exterior. Foi Oficial do Exército, casado com dois filhos, reformou-se aos 55 anos, após 40 anos de trabalho. Na pensamento político é social democrata. Dedica o tempo de reforma ao voluntariado social e foi durante dois mandatos presidente da UDIPSS de Setúbal.

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