O ano que esta prestes a acabar e 2015 apresenta se como um ano especial para os media em Portugal e na Europa, no mundo em geral.

As previsões dizem que o investimento publicitário em plataformas digitais nos países anglo-saxónicos poderá ultrapassar os investimentos em suportes tradicionais ultrapassando mesmo 50% do valor investido.

Modelos de distribuição automática da publicidade trazem desafios nunca pensados ao jornalismo que precisa cada vez mais de disponibilidade financeira e de apresentar independência e autonomia. O crowfunding, o patrocínio, o fundraising faz um caminho mas ainda ténue e desajustado para as necessidades empresariais dos media. A Fundação Bill e Melinda Gates deu um importante exemplo ao patrocinar a realização e publicação de textos jornalísticos e reportagens dobre ciência e investigação académica… mas é pouco comparado com o vertiginoso recuo dos investimentos publicitários, da diminuição da venda de exemplares em papel ou da reduzida monetização dos conteúdos digitalmente distribuídos.

Por tudo isto os apoios do Estado Português e da União Europeia que em 2015 vão estar disponíveis para as empresas de media permitir lhes ão, ao menos, não perderem a corrida á inovação, a internacionalização e a competitividade sem o que a qualidade do jornalismo ficara reduzida a boa vontade impreparada e não profissional dos cidadãos que enviam noticias e reportagens para as redacções.

Tudo se passara já em 2015 pois as ultimas informações do ano, em Portugal, já apontam para o início de uma nova era de regulação abrangendo blogs, sites e a produção de textos pelos cidadãos (UGC – User generated Content). Os quase últimos documentos da ERC em 2014 dizem exactamente respeito a estas questões, estando um em consulta pública sobre a necessidade de regulação multimédia e o outro uma directiva (pareceu me mais uma recomendação) ….

Digo quase porque ao deliberar que a intervenção da CGI da RTP na questão da compra das transmissões da Champions não era legitima, a ERC veio levantar a mais complexa crise nos media em Portugal, talvez na Europa, quem sabe se no mundo. O mundo do entertainment, do lazer e dentro deste, o do futebol, tem regras muito próprias na gestão e na comunicação dos eventos que organiza. Implicar a televisão pública numa luta destas não terá como resultado apenas umas quantas demissões em Portugal, nem deixar de fora os outros operadores, sejam fta, sejam cabo ou internet e, portanto, todas as plataformas e outros suportes digitais de comunicação e informação.

Em 2015 o mundo verá também novas fases do conflito entre os editores, os políticos e o Google e outros motores de busca como o Baidu. A natureza da nova gestão e construção da informação, noticiosa, jornalística ou de entretenimento, a evolução rápida, quem sabe se vertiginosa das novas formas de democracia digital que saltam das ruas para os parlamentos e para a decisão empresarial vão conduzir nos a realidades em que os pequenos incidentes como os da RTP ou a posição dos reguladores portugueses serão apenas uma virgula no discurso mediático que 2015 se prepara para começar a ver.

Entre Putin, Xin Ji Ping e Obama, todos terão de procurar e implementar uma nova rota da seda, esses fios delicados que uma feia lagarta tece depois de se ter alimentado das frondosas amoreiras, como as que temos no Largo do Rato, em Lisboa, para os homens produzirem os mais suaves e exóticos e coloridos sonhos, envolvendo nos no futuro seguro e feliz que todos procuramos. A lagarta, tecidos os fios da seda, segue borboleta cujo suave bater de asa no nosso jardim se pode transformar num vendaval na Austrália….

Bom ano de 2015 para todos os leitores do “Setúbal na Rede” e se tiverem o trabalho de ler estas minhas linhas tomem nas ao menos como um texto de ficção como prenda de Natal.

Até para o Ano e Boas Festas.

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João Palmeiro

Presidente da Associação Portuguesa de Imprensa

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