Foi, é, e será notícia na imprensa a situação da Grécia e, no EXPRESSO de 20.03.2015, pode ler-se: “Se o problema de liquidez a curto prazo não for resolvido, o Governo de Tsipras poderá ver-se numa situação de não ter dinheiro para pagar salários aos funcionários públicos, ou, noutro cenário, poderá falhar os reembolsos aos credores internacionais”.


Perante a situação crítica Alexis Tsipras mantém dois discursos: um interno, em que prevalece a determinação de não pagar a dívida, e outro externo, em que vai cumprindo e rastejando por uma solução para o suco da dívida. E, surpreendentemente, faz-se representar numa conferência promovida pelo Bloco de Esquerda, Lisboa, para expressar arrogância e colocar a disquete de que a Grécia não pagará a dívida, dando alento ao Bloco de Esquerda que, confesso que ainda não entendi, pois tanto quer renogociar a dívida, já renegociada, como quer simplesmente não pagar aos credores. Mas nesta política não estão sós, pois os primeiros arrogantes foram Mário Soares e José Sócratas que negaram o ditado da sabedoria popular de que “o dever é honra se o pagar for a brio”.



Sou de uma geração que nasceu e comeu o pão que o diabo amassou, nesse interior abandonado e sem voz. Mas sou duma geração de honra, mesmo que me chamem conservador. Mas, os que clamam pelo não pagamento da dívida são políticos que encontraram um chavão fácil para um povo que continua no obscurantivismo político e subjugados ao oportunismo dos políticos, como o povo simples da Grécia. Os Portugueses, deram mostras que mesmo sofrendo, respeitam o princípio ético e moral de que “o dever é honra se o pagar for a brio”.


Para a esquerda portuguesa surge agora uma nova esperança, o mediático partido de Alexis Tsipras que construiu um programa de mentira, de falsas promessas, de promessas para caçar votos? E a primeira grande mentira foi a de não pagamento da díviva pois Alex Tsyras sabe só dará honra ao povo Grego se o pagar da dívida for a brio. Politicamente choca-me a defesa que o PCP faz da estratégia do partido de Alexis Tsipras pois estarão a rota de colisão com o pensamento de Álvaro Cunhal quando escreveu que “é preferível perder votos falando verdade do que ganhar votos falando mentira”. Ou como disse Mahatman Grandhi “ajuda-me a dizer a verdade diante dos fortes e a não dizer mentiras para ganhar os aplausos dos débeis”.


Devemos acordar, para que não nos isolem e amordacem de novo, pois os que não sentem que “o dever é honra se o pagar for a brio” são os mesmos que já não têm honra para cair de pé. Não retiro o meu maior respeito pelos que manifestam a sua indignação por estarem a pagar com honra a dívida que outros assumiram em seu nome. Mas os meus heróis não são criados pela ficção da informação política, são aqueles que têm a coragem de assumir os compromissos e corrigir os erros que os outros fizeram. Os maus heróis, não são os políticos de duas caras, uma para utilização externa e outra para a mensagem interna.


Leio, na pouco imprensa que me chega a este Brasil distante, que se procura apresentar Alexis Tsipras como o salvador saído das trevas em que está caída a Europa. Pasmo com tal leviandade, pois Alexis Tsipras não é, senão, mais um dos políticos que fez promessas eleitorais para meter na gaveta no dia seguinte. Mas é herói, porque disse que a Grécia não pagaria a dívida e trata com desprezo os credores, para a televisão ver. Mas é herói, porque disse que a Alemanha terá que pagar à Grécia pesada dívida de guerra. Mas é herói, porque ameaça a Europa com a abertura das fronteiras aos islamitas. Sem querer fazer futurologia, não me custa aceitar, que em breve deixará de ser herói porque terá que satisfazer os compromissos e de joelhos aceitar novo empréstimo para pagar salários e não paralisar o país. Sem querer fazer futurologia, não me custa aceitar, que em breve deixará de ser herói porque a Alemanha não dará ouvidos à sua exigência e comece a sentir que ao lado, os Turcos há muito que reclamam a devolução do roubo histórico da ocupação Grega. Sem querer fazer futurologia, não me custa aceitar, que em breve deixará de ser herói porque tem de combater os terroristas islâmicos, não os islâmicos como povo, mas os terroristas islâmicos que consideram a Grécia como uma das portas acesso à Europa.


Alexis Tsipras é hoje um papagaio falante, oportunista, esperando que com as suas diabruras consiga a ajuda Russa, Islâmica ou Chinesa, para enfrentar a Europa. Aqui, sim, está o perigo. A fazer fé no EXPRESSO, o dirigente grego do Syriza, Costas Zachariadis, acusou o primeiro-ministro português de ser “um aliado do governo alemão”, num discurso em que advertiu que o fim da austeridade na Grécia “é definitivo e irreversível”.


Mas quem são os Gregos para virem a Portugal, escudados pelo Bloco de Esquerda, atacar as políticas do governo? Esperemos pelo futuro próximo, para entender a afirmação de que, o fim da austeridade na Grécia “é definitivo e irreversível”.


Estive na Grécia há 3 anos e nunca vi um país europeu em ruinas, não as históricas, mas as modernas. Autoestradas em construção transformadas em campos abandonados. Braços cruzados por todas as esquinas, pois o trabalho é duro quando o governo distribui benesses a quem anda de costa direita. Construções paradas, com os ferros a prometerem novos pisos, pinturas que não foram feitas, gente à janela a esperar que o tempo passe e subsídio chegasse. Uma Grécia, sem o tesouro do Império, mas em que a grande maioria vivia desafogada sem trabalhar. Uma Grécia a morrer aos poucos.


Mas ainda temos quem procure o contágio para Portugal.


E ao terminar esta crónica leio a afirmação de Alexis Tsipras em Berlim: “Nem os gregos são preguiçosos, nem os alemães são responsáveis por todos os nossos males”. Tem razão, os políticos é que são (ir)responsáveis por tudo que aconteceu à Grécia. E Alexis Tsipas dificilmente será diferente pois a sua ideologia encarna a falta de dignidade para afirmar que “o dever é honra se o pagar for a brio ”. Alexis Tsipras esquece que da sua dívida uns euros também são meus, do leitor que leu esta crónica, de todos os portugueses.

Fotografia de capa por matthew_tsimitak

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António Figueiredo

Gestor Reformado
Foi trabalhador estudante, licenciado e Executivo de três empresas multinacionais, tendo exercido cargos no exterior. Foi Oficial do Exército, casado com dois filhos, reformou-se aos 55 anos, após 40 anos de trabalho. Na pensamento político é social democrata. Dedica o tempo de reforma ao voluntariado social e foi durante dois mandatos presidente da UDIPSS de Setúbal.

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