Os portugueses votaram, no passado dia 4, mas a ansiedade do poder pelo poder, os interesses nacionais e do Povo já muito pouco contam e levam a que mais de 60% dos portugueses tenha que engolir o grande sapo António Costa! Pelo poder, só pelo poder, o PS vai engolir os sapinhos do PCP e do BE. Em boa verdade, sendo o pobre sapo tão indegesto, confesso que eu prefiro umas perninhas de rã, mas não consigo prever o que acontecerá quando o vómito político acontecer…

É evidente que o sapo da arrogância foi engolido por Passos Coelho e Portas ao perderem a maioria absoluta e não terem sido capazes ao longo de quatro anos de estabelecer, com o PS, uma plataforma de compromisso futuro para os dossiers políticos mais complexos. A coligação tem o mérito do esforço que fez para não deixar cair o país na banca rota herdada de José Sócrates / António Costa, mas o grande desmérito pela conflitualidade política que gerou. Culpar a oposição é irresponsabilidade e, por isso, terem engolido o sapo da arrogância vai-lhes custar  perder os ganhos e créditos que o povo lhe tinha dado.

O grande sapo filho foi engolido por Mário Soares na noite em que João Soares, mensageiro do PS, veio eriçadamente atacar o discurso do Presidente da República. Mário Soares merece o meu reconhecimento, como já por mais de uma vez o afirmei, possivelmente muitos leitores o julgam também, pelo movimento que uniu o Povo na gigantesca manifestação da Fonte Luminosa. Como Português não o esqueço, porque Mário Soares não o fez pelo acesso ao pode, mas por patriotismo. João Soares nunca deve ter lido o discurso do seu pai e fez com que este tenha engolido o sapo filho gordão. Dir-me-ão que Mário Soares apoia incondicionalmente o acordo trágico que António Costa procura conseguir com a esquerda não europeia, que ele Mário Soares tem o mérito de ter sido mentor, pelo que só compreendo pelo facto do sapo filho já começar a ter efeitos secundário na sua indigestão.

O sapão da intolerância vai ser engolido pelo Presidente da República que, num discurso para o futuro, mostrou intolerância política quando deveria ser um elemento apasiguador no momento grave que o País passou a viver. Que engolisse o sapinho só para si, não procurasse o vómito político que deveria ter evitado na segunda parte do seu discurso. Afinal o Presidente não deu sinal de que o é de todos Portugueses pelo que terá que engolir o sapão da intolerância e os sapinhos da esquerda. Azia a mais que poderia evitar com o tabú de que teria uma solução estudada, tal como o afirmou durante o período da campanha eleitoral.

Dizem-me que Ferro Rodrigues terá dito que o que queria era ser Presidente da Assembleia da República como presidente do grupo parlamentar do PS, o que queria era ficar para a história! A sede do poder mata a lucidez dos políticos como se viu no seu discurso de presidente, duma esquerda unida que julga que nunca mais será vencida. Tenho Ferro Rodrigues como uma pessoa sensata, equilibrada, de formação de esquerda socialista, mas nunca pensei que no sei íntimo esteja uma fera política que não dignifica o Parlamento. No final, na reflexão que por certo terá feito, terá engolido o sapo do poder, que tantas insónias lhe vai causar. Afinal se o Presidente da República é acusado de dividir o País, o que fez Ferro Rodrigues, no seu ato como segunda figura do Estado, foi confirmar que também ele dividirá os Portugueses. Para onde vamos?

Direi, porque ainda não conheço o acordo de estabilidade governativa alcançado entre o PS e o BE, que Catarina Martins estará a engolir diariamente um sapão socialista, enviado pelo PS para as negociações, engolido a cada momento pela ânsia do poder. O Bloco de Esquerda foi rapidamente a Alexis Tsipras procurar antiácidos, tal a indigestão que prevê, pelas promessas eleitorais falhadas, tudo em nome de chegar ao poder. O poder é uma miragem dos políticos, cada vez mais dos jovens políticos e das suas clientelas, porque passam de um zero a figuras de poder. Estamos onde estamos por isto, pelo uso e abuso das fraquezas da democracia. Quando nada se constrói na vida investe-se na política porque essa garante uma reforma choruda a curto prazo, e garante o exercício do poder e a passagem para o palco do emprego fácil quando sair do Parlamento, com as chamadas reformas de ouro. No final valeu a pena engolir o sapão socialista.

Mas o sapo do tamanho dum elefante é engolido por socialistas, fundamentalmente por António Costa, que derrotado passa a vencedor engolindo todos os sapões do PCP e BE. António Costa não está a mudar a geografia política, está a salvar o seu desejo oculto de ter o poder a qualquer custo. Apresentou um programa eleitoral absolutamente liberal, confundindo-se mesmo com o que a coligação apresentava, rejeitando todas as criticas da esquerda, traindo todos os portugueses que não esperavam ver o PS a render-se à esquerda que Mário Soares combatera na Fonte Luminosa. Será que António Costa e o PS pensam que no quadro geográfico político têm essa maioria representada no Parlamento? Grave ilusão…

Na realidade a grande maioria está num País que não se revê na ideologia socialista, uma maioria silenciosa de centro direita que se esconde na abstenção e são, recordo, 42% dos eleitores. Na realidade uma maioria que votou PS votou pelo desencanto com os últimos quatro anos de gestão da coligação e jamais por uma solução de união da esquerda agarrada por esta, sobe a batuta de António Costa que abre um ciclo circense à Syriza. O circo político está montado em Portugal à medida do circo político montado em Bruxelas para gerir o fenómeno grego de quem aproveita o voto do Povo para a seguir o trair. Mas a traição do Povo terá um preço, aqui como lá.

Penso que no fim de tudo isto será a PCP a engolir os sapinhos mais pequenos, porque é leal ao seu pragmatismo ideológico. O PCP sabe que tem um momento histórico para se transformar num partido europeísta, sem perder o seu cariz junto das massas operárias e sindicatos. É o momento do salto para a frente e seguir os passos dos grandes partidos europeus que são o italiano e francês. O PCP construiu uma sólida base de lideres jovens que serão os mais indicados para fazer fertilizar o embrião europeu. Por isso o PCP será o grande vencedor desta eleições, não que queira ir para o poder, não alinhará nesse desespero do BE, mas porque sabe que a sua imagem internacional mudará, porque o bloco soviético desapareceu, a China começa a ser um mito e a Coreia do Norte um perigo.

Uma nota final para me referir à minha crónica “Da ideologia dum comunismo ortodoxo do PCP à ideologia dum comunismo moderno do PT“ onde escrevi que o combate às medidas do governo pelo “  PCP só foi possível pelo sua ideologia marxista e ortodoxa “. Hoje escreverei que espero que o PCP não abandone a sua ideologia socialista mas, por certo. abandonará alguns dogmas que já caíram em desuso numa Europa que evoluiu politicamente.

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António Figueiredo

Gestor Reformado
Foi trabalhador estudante, licenciado e Executivo de três empresas multinacionais, tendo exercido cargos no exterior. Foi Oficial do Exército, casado com dois filhos, reformou-se aos 55 anos, após 40 anos de trabalho. Na pensamento político é social democrata. Dedica o tempo de reforma ao voluntariado social e foi durante dois mandatos presidente da UDIPSS de Setúbal.

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