O F.C. Porto ganhou ao Vitória mas não foi, de facto, um passeio junto ao Rio Azul que os azuis do norte fizeram no último domingo ao cair da tarde, princípio da noite.

É verdade que na 1ª parte não existiu Vitória e eu, que assisti ao jogo no campo, tenho a humildade de reconhecer o poderio natural dos vice-campeões nacionais que entraram forte no jogo e, em pouco tempo, puseram o nosso clube em sentido. Foi, em bom rigor, 45 minutos de futebol de sentido único em que os excelentes executantes dos dragões alardearam classe e técnica o que, aliás, não é de estranhar face à abismal diferença de orçamentos e, consequentemente, de plantéis. Porém, foi no meu modesto entendimento curto para aquilo que se podia esperar de uma equipa construída não só para ganhar a Liga como também para brilhar na Europa e fê-lo mesmo apesar de ter levado 6 murros no estômago do colosso Bayern que, é inequívoco, está neste momento, longe dos antigos campeões europeus.

Só que, na 2ª parte tudo foi diferente e o Vitória, com muito mérito, quase encostou o F.C. Porto às cordas valendo-lhe a elasticidade de Helton que, com um pequeno impulso, conseguiu evitar o cabeceamento vitorioso de Suk, um habitual mouro de trabalho, na frente do ataque vitoriano mesmo que constantemente desapoiado não só pela forma de jogar do Vitória como também porque o nosso leque de avançados é francamente reduzido já para não falar na qualidade. É, nesta perspetiva, que eu penso que os treinadores se igualaram no que toca a uma eventual apreciação técnica ainda que eu não ouse fazê-lo porque além de não ser essa a minha missão quando escrevo estas crónicas também não tenho pretensões a comentador desportivo mais a mais quando faço o “Sentado na bancada” por prazer e respeitando um convite que me foi, oportunamente, feito pelo meu amigo Pedro Brinca que anda lá por Timor na senda dos portugueses que fizeram os descobrimentos e que assumem a portugalidade nos mais diferentes cantos do mundo.

Entendo, pois, eu que no jogo jogado durante os 90 minutos houve, efetivamente, algum equilíbrio e talvez nós pudéssemos ter empatado o que obrigaria os azuis e brancos a fazerem pela vida porque nesta reta final não podem perder pontos para o rival que vai à frente com mais 3. E, sinceramente, gostei da atitude do nosso treinador que não se encolheu, pôs toda a carne que tinha no assador e procurou, até ao fim, surpreender o adversário com as armas que tinha. Sofremos um golo de início a outro ao cair do pano e, pelo meio, foi-nos escamoteado um penálti por uma mão indisfarçável de Alex Sandro na área de rigor. Mas, ressalvo, que não foi pelo árbitro que perdemos até porque há 32 anos que não sabemos o que é ganhar ao F.C. Porto e a história ainda pesa no subconsciente de todos.

Quanto à classificação, na minha opinião, complicou-se ainda mais porque alguns dos nossos adversários diretos pontuaram mesmo que só acrescentando e 1 ponto ao pecúlio já acumulado, sendo igualmente certo que já só temos 3 pontos de avanço do Gil Vicente, ainda que na prática sejam 4.

Tenho, para mim, que tudo se decidirá no Bonfim com o Arouca mas, para evitar sobressaltos, temos de ganhar se, porventura, não conseguirmos uma vitória em Moreira de Cónegos que está ao nosso inteiro alcance mais a mais quando nesta Liga temos feito melhores resultados fora do que em casa.
A última referência desta semana vai, como não podia deixar de ser, para um grande homem de Setúbal, José Mourinho que, independentemente, dos milhões de Abramovich, conseguiu ser mais uma vez campeão no Campeonato mais fantástico e bonito para a vista da Europa com a particularidade de ser alcançado ainda à distância de 3 jogos do final da competição e já com 13 e 16 pontos de avanço do Manchester City (campeão em título) e Arsenal que, no entanto, tem um jogo em atraso contra o Sunderland.

Mourinho, 22 títulos já no seu palmarés com três ganhos em Inglaterra, no Chelsea e todos nós sabemos quão difícil é singrar na terra que inventou o futebol, fazendo com que, como vimos na televisão, o “cara fechada” dono do Chelsea fosse um homem feliz e com um sorriso de orelha a orelha e tenho a certeza que jamais se esquecerá dos portugueses e, em especial, da terra dos salmonetes, golfinhos e Arrábida porque, não tenho dúvidas, já lhe devem ter contado “Setúbal”.

Um abraço e para a semana voltarei.

Até lá!

The following two tabs change content below.

Rui Chumbita Nunes

Advogado

Últimos textos de Rui Chumbita Nunes (ver todos)