Os mais novos não se lembram mas os mais velhos , como eu, sabem e conhecem o nome de José Maria.

José Maria foi, a par de Jacinto João, um dos ícones do nosso Vitória que, há 50 anos, ajudou a escrever a letras de ouro, o nome do nosso Clube nos anais do desporto nacional ao estar na equipa que conquistou a 1ª Taça de Portugal, era dirigente Fernando Pedrosa, uma outra referência ainda que numa missão diferente.

José Maria esteve presente num dos períodos de maior glória do nosso Clube que, durante mais de uma década, levou o nome de Portugal bem longe, além fronteiras nos prestigiados torneios em que era habitual convidado e nas competições europeias onde também eramos assíduos porque tínhamos, naquela década – a de 60, uma equipa composta atletas fantásticos com qualidade acima da média e, sobretudo, muita humildade na forma de estar e de ser além de termos, também, dirigentes de alto gabarito que souberam engrandecer o nome do Vitória de Setúbal e da região.

Como, certamente, os leitores já se aperceberam, a introdução desta crónica vem a propósito da figura esbelta e esguia de um ex-jogador do clube com que nos voltámos a cruzar e que tínhamos acompanhado em tempos idos porque, na década de 60, eu ainda era miúdo e, naquela Taça, tinha apenas 11 anos.

José Maria vive longe de Setúbal, nos Estados Unidos da América mas, na 3ª feira passada, deu-nos o prazer e a honra de o rever num jantar com muitos Amigos e onde estiveram grandes nomes do Vitória daquelas alturas, tais como, entre outros, Carlos Cardoso, Rebelo, Herculano, Fernando Tomé, Octávio Machado, Wagner, Nascimento, Aparício e, sinceramente, olhando para aquele grupo, arrisco-me a dizer que todos juntos voltavam a fazer uma grande equipa que, certamente, ainda hoje daria cartas nos nossos relvados tal era a qualidade destes atletas.

Reviveram-se velhos tempos, contaram-se muitas histórias e cheguei a ver bailar algumas lágrimas escorreitas nos olhos sempre vivos destas lendas felizmente ainda lendas vivas.

Cintilante, emocionado e com o coração quente estava o Zé que, acompanhado dos filhos (que, aliás, são bem engraçados no relacionamento com o pai), recebeu calorosamente a homenagem que lhe estava a ser feita a que eu tive o privilégio de assistir ao ser convidado e que me permitiu comungar de uma alegria imensa por estar ali junto de tantos homens de categoria.

Foi bom para o Zé que, ainda hoje, se mantem com aquela sua muito própria simplicidade e humildade de anti-vedeta mas sempre solidário com os seus Colegas e Amigos que não esquece nem esquecerá como, aliás, percebemos quando falou e disse o que lhe ia no coração e na alma.

Foi bonito, sobretudo ouvir o Octávio dizer alto e bom som que uma parte do seu prestígio e do seu desenvolvimento como jogador o deve ao Zé que sempre o amparou e ajudou mesmo nos momentos mais difíceis e quando ainda era um menino, como é de realçar quem teve a lembrança de fazer este singelo mas justo encontro/homenagem porque este é e deve ser o espírito do Clube uma vez que o nosso Vitória, na atualidade, faz-se com o passado porque sem ele também não havia presente nem, certamente, futuro e atletas como o Zé Maria terão de ser permanente inspiração para os vindouros até pela referência que sempre foram no panorama desportivo nacional.

Aliás, o Zé Maria, para quem não sabe, é o jogador que mais golos marcou no Vitória e que mais jogos disputou ao longo da história do Clube e, no meu modesto entender, ainda não foi devidamente reconhecido pelos Vitorianos apesar de fazer parte da equipa do século no centenário. Foi pena, no meu modesto entendimento, o Vitória não estar representado institucionalmente porque o Zé merecia e merece a companhia de todos nós e o reconhecimento do Clube nos poucos momentos em que pode estar no meio de nós até porque não sabemos quando voltaremos a vê-lo dado que a distância de afastamento é, de facto, muita.

Foi uma semana, no plano interno, sem pontapé na bola apesar de termos batido o Comércio e Indústria que apadrinhamos na sua apresentação o que, sem óbvio menosprezo pelo outro Clube da nossa cidade, é sempre saudável mais a mais quando se dá minutos aqueles que não têm jogado no âmbito das competições nacionais.

Na seleção e ao cair do pano lá conseguimos uma cabeçada vitoriosa do Miguel Veloso frente a uma, na minha maneira de ver, modesta Albânia que, apesar de muito querer, está a quilómetros de distância de nós independentemente do que sofremos. Paulatinamente, vamos dando os passos necessários para chegarmos a França e isso é que conta… o resto é conversa para os muitos comentadores que, cada vez mais, proliferam nos media.

Para a semana, há Liga, vamos à Madeira e o meu desejo é que continuemos a sorrir e a mostrar aos “experts” que se pode fazer boas omeletes com poucos ovos.

Bem hajam por terem paciência para me lerem e até para a semana.

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Rui Chumbita Nunes

Advogado

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