Vivemos numa era de excesso de informação, em que até notícias com vários anos nos aparecem de repente à frente, num qualquer feed de Facebook ou numa pesquisa online, e não é raro que as tomemos erradamente como actuais, se não tiverem uma qualquer data completa (dia, mês, ano) associada.


Por isso, se nunca foi tão fácil informar e chegar a um grande número de pessoas em pouco tempo, também nunca foi tão fácil desinformar e desviar as atenções para questões de menor importância mas claramente chamativas.


E é aqui que reside a importância dos órgãos de comunicação social e, sobretudo, dos Jornalistas. Escrevo Jornalistas com maiúscula tendo plena consciência de que muitos dos que merecem essa designação se encontram afastados do exercício da profissão.


E porque é que se encontram afastados? Uns porque não tiveram condições e/ou oportunidades para continuar e tiveram de se dedicar a outras actividades. Outros porque se desencantaram com muito do que viram nas redacções, e alguns ainda porque, como eles mesmo afirmam, amam demais a profissão para se manterem nela sem a poderem exercer como ela deve ser exercida.


Quem perde com isto? Todos nós. Porque a sociedade não pode viver sem Jornalistas com maiúscula, sem profissionais que sigam o código deontológico e tenham ao seu dispor os meios necessários para apurar a verdade e os factos.


Mas numa era em que aquilo que é (aparentemente) gratuito se tornou norma, quem está disposto a pagar para ter esse jornalismo de qualidade, no qual possa confiar? E será justo que um tal bem só esteja ao alcance de quem o possa pagar?


Nota: o autor não escreve com o Novo Acordo Ortográfico.

Fotografia de capa por planeta

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Luís Humberto Teixeira

Tradutor

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