Dada a sua tradição cristã, o mundo ocidental sabe que a época natalícia pretende celebrar o nascimento de Jesus Cristo. Pois. Mas parece que já não é bem assim.

   

De acordo com um estudo realizado no shopping Brent Cross, em Londres, e divulgada pelo jornal “Daily Mirror”, as crianças não se preocupam com o Natal e não conhecem o significado da data. Dos mil jovens que foram entrevistados, 20 por cento acham que Jesus Cristo é um jogador do Chelsea, mais de metade acredita que o dia 25 de Dezembro seja a data de aniversário do Pai Natal, razão pela qual recebem presentes dos familiares.

   

A pergunta apresentada foi “Quem é Jesus Cristo?”, e as opções de resposta: a) jogador do Chelsea, b) filho de Deus, c) apresentador de televisão, d) candidato de um concurso televisivo, ou e) um astronauta. Um em cada cinco entrevistados escolheu a primeira opção. Alguém sugeriu, supostamente em jeito de brincadeira, que talvez os adolescentes entrevistados tivessem feito confusão como o nome de Jesus Navas, médio do Manchester City.

As conclusões deste inquérito devem fazer-nos pensar.

   

Tais resultados reflectem desde logo a saída de Deus do espaço público. O estado moderno é laico, mas a sociedade não. E o que não falta é quem confunda ambas as coisas. A legislação não tem que ser religiosa, nem deve ser, mas a sociedade comporta em si valores comuns com a tradição e cultura religiosa de um povo. Lançar fora o bebé com a água do banho é trágico.

   

O mau exemplo da União Europeia, ao afastar do preâmbulo de um documento a menção da herança judaico-cristã na cultura ocidental, é bem reveladora da cedência ao preconceito anti-religioso e a essa coisa estúpida a que chamam “politicamente correcto”.

   

Por outro lado é por demais evidente a falta de educação transmitida pelos pais aos filhos, no âmbito familiar e a subsequente falta de valores. Os valores não são inatos, transmitem-se de geração em geração, e não é à escola, ao estado ou à igreja que compete essa influência e herança. Apenas à família. A Escola dá instrução, o Estado impõe uma determinada ordem social e a Igreja catequiza. Mas ainda que todas estas instituições façam um trabalho notável com uma criança ou adolescente, se a família não estiver à altura do seu papel, pouco se consegue, e não há psicólogos ou instituições que nos valham.

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José Brissos-Lino

Docente Universitário
Psicoterapeuta, docente universitário e escritor. Ligado ao associativismo, à solidariedade social e à cultura. Colabora regularmente na imprensa regional, desde 1980. Doutorado Psicologia e em Ciências da Religião. Pastor protestante.

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