Chegámos, praticamente, ao fim de mais uma época do nosso desporto rei sendo que para o nosso Clube nada mais há em que pensar quanto a 2014/2015.

Chega, também, ao fim mais um ano de crónicas do “Sentado na Bancada” que, ao longo de duas épocas desportivas, foi uma presença regular junto dos habituais leitores do “Setúbal na Rede”, ainda que este ano tenha tido algumas ausências derivadas dos muitos afazeres profissionais em que estou envolvido para além de outros desafios que, entretanto, abracei. Penalizo-me por esse facto e espero que relevem estas “faltas” que, acreditem, foram todas inevitáveis. Por exemplo, a da semana passada em que não consegui, de forma alguma, escrever fosse o que fosse porque estive no norte do País no âmbito das comemorações do Dia do Advogado, em S. João da Pesqueira, uma zona lindíssima encravada nos socalcos do Douro e onde a vinha é rainha e senhora garantindo a produção daquele néctar maravilhoso que é o vinho que os portugueses, e não só, muito apreciam. Aliás, eram muitos os turistas que estavam de visita o mesmo acontecendo na zona da Serra da Estrela, mais propriamente em Gouveia, onde estive, igualmente, mas aqui já em trabalho.

Daí a razão de ser deste escriba não ter conseguido fazer a crónica que, por sinal, até iria coincidir com a altura em que o Vitória conseguiu garantir a manutenção e a festa foi, por isso, grande lá para os lados do Bonfim tendo os ecos se propagado ao correr do vento e, como é óbvio, chegaram até nós, amantes do Clube e não fui só eu a recebê-los, porque havia mais vitorianos comigo que muito exultaram com o feito.

E aqui a razão de ser do título que escolhi para esta minha última reflexão (quiçá, talvez mesmo a derradeira, porque não sei se para o próximo ano desportivo ainda Vos visitarei) porque o mínimo que era exigível a um clube com os pergaminhos do nosso é que se mantivesse no seio da Liga quer pela tradição e prestígio quer porque sair do convívio dos primodivisionários seria um “desastre” com contornos e consequências, porventura, inimagináveis para quem sente e ama o Clube porquanto, realisticamente, iríamos ficar a um passo muito curto da sobrevivência uma vez que já estamos, como é consabido, em agonia há alguns anos a esta parte.

Mas, francamente, esta época deverá servir de reflexão séria para os dirigentes porque foi má de mais para ser verdade e o único milagre que houve foi o Gil Vicente e o Penafiel serem piores do que nós apesar de eu, algumas vezes, ter duvidado que assim fosse.

Ao longo destas crónicas referi, por diversas vezes, que o plantel tinha sido mal feito e mal estruturado sendo que disso não ficou isento o treinador que acabou por ser substituído ainda que, a meu ver, tarde e a prova disso foi que andámos com o credo na boca até ao fim, Na verdade, e com todo o respeito pelos atletas que representaram as nossas cores, havia alguns que não tinham capacidade técnica para jogarem no Vitória sendo que, também, a mestria sempre necessária neste, como em todos os desportos, andou muito arredada do que era minimamente exigível, até porque sempre estivemos “coxos” nos setores nevrálgicos do que é entendível para assegurar boas performances numa equipa de futebol.

Daí que, eu diga que “Isto não é o Vitória”, um Clube que sempre teve uma cultura própria de jogo com a bola a correr no campo sem pontapé para a frente e privilegiando a arte de bem jogar em detrimento do futebol direto que foi o que se viu ao longo desta época. É certo que, para almejar este desiderato, é preciso ter artistas mas outras épocas houve em que tudo estava, igualmente, muito difícil mas ainda assim houve arte e engenho para criar um plantel que nos permitiu tranquilidade e, até mesmo, valorizar alguns ativos que, entretanto, vendemos porque esse é, por enquanto, o nosso “fado”.

Acresce que, os problemas do Vitória são, ao que me apercebo, transversais porque, mesmo nos escalões jovens, a coisa não correu nada bem o que me preocupa pois há que acautelar um futuro próximo no que diz respeito à sustentação do clube mais a mais quando, à medida que avançamos no tempo os problemas, em vez de diminuírem, aumentam.

É que, os ecos que chegam não auguram nada de bom se bem que a informação de que dispomos seja escassa para arriscar qualquer tipo de análise.

Terminámos a levar 5 do SC Braga, o que já muito tempo não acontecia, conseguimos ficar em 14º na tabela mas, obviamente, temos de parar para refletir e parafraseando Bruno Ribeiro que, certamente, não continuará… . Eu não podia deixar de estar mais de acordo e, apesar de saber, com razão de ciência, que gerir o Vitória é mesmo muito mas muito difícil e complicado, tenho comigo aquela máxima que tem norteado a minha vida e que é avançar no futuro não cometendo os erros do passado e procurar, de uma forma humilde, ouvir os outros porque sozinhos podemos caminhar mais rápido mas juntos certamente que iremos mais longe e seremos mais fortes.

Aqui Vos deixo um Grande Abraço, foi um prazer escrever para Vocês e façam o favor de ser felizes.

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Rui Chumbita Nunes

Advogado

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