A semana passada não houve a habitual crónica em virtude de, por afazeres profissionais, não ter estado em Setúbal, o que não me permitiu ter tempo e “cabeça” para alinhavar umas linhas que permitissem manter a regularidade neste espaço pois foi a 1ª vez que, ao longo do tempo em que sou escriba do “Sentado na Bancada”, que não houve texto. Pelo facto, as minhas sinceras desculpas com a promessa de que tudo farei para que não volte a acontecer.

   

Ainda assim, talvez tivesse sido bom não ter alinhavado nada porque a revolta, após a derrota em casa com o Boavista, foi grande e, certamente, que tal iria influir na redação da crónica e, se calhar, iria ser “duro” de mais com os profissionais do nosso Clube.

   

Mas tenho de ter alguma serenidade e despir-me das emoções positivas ou negativas quando escrevo mas não posso deixar, como é óbvio, de emitir a minha opinião porque foi para isso que a direção do “Setúbal na Rede” me desafiou. E, é por isso, que aqui proclamo que é “francamente mau” aquilo a que venho assistindo nos últimos jogos do Vitória. 5 jogos consecutivos sem marcar; 5 derrotas consecutivas, incluindo a da Taça de Portugal; apenas 8 golos marcados em 15 jornadas; uma das equipas mais indisciplinadas da Liga e, como é natural, com esta performance, terminamos o ano um lugar acima da linha de água com apenas um magro ponto de vantagem da Académica. É negativo, muito negativo até porque a experiência diz-me que, quando estamos perto de cair no fosso, tudo se torna mais difícil, nomeadamente, a confiança independentemente da vontade que possa haver.

   

Por outro lado, penso que é altura de deixarmos de culpar os árbitros pelos nossos inêxitos porque, no meu modesto entendimento, é perigoso continuar-se com este tipo de discurso, nomeadamente, por parte do nosso treinador que se deverá preocupar, isso sim, em pôr a equipa a jogar uma vez que ressalta aos olhos de todos que jogamos muito pouco, que o plantel tem desequilíbrios flagrantes, que não há um fio de jogo e pior do que isto tudo que já não é, obviamente pouco, os bons valores que temos não fogem à mediocridade dos desempenhos.

   

Aliás, fico um pouco incrédulo quando leio que se vão dispensar 5 ou 6 jogadores porque não têm qualidade para jogar no Vitória e que se vão contratar outros. Mas então, quando o plantel foi feito não se conseguiu perceber que havia atletas que não reuniam as condições para representar o Clube? Então não foi o treinador que escolheu os jogadores? Então vêm às carradas para depois saírem em Dezembro sem terem acrescentado mais-valia à equipa? E, já agora, que critério(s) foi (foram) observados na(s) escolha(s)? Finalmente, como, suportam as contas do Vitória entradas e saídas de jogadores sem que estes não cumpram os contratos?

   

É evidente que os associados, tal como eu, começam a ficar apreensivos temendo, como é natural, pelo futuro do clube. Percebo, perfeitamente, que a janela de Janeiro deve, efetivamente, ser aproveitada pelos clubes para reajustamentos mas parece-me, com todo o respeito, que se deverá recuperar a mística do Vitória, pôr a equipa a jogar e aproveitar o Novo Ano que se aproxima a passos largos para refletir sobre o que falhou, corrigindo o caminho e ponderando seriamente no que deverá ser feito para não voltarmos a estar com a corda na garganta em manifesta aflição até ao fim do campeonato uma vez que, como diz o ditado: “Homem prevenido vale por dois”.

   

Natal, quadra de paz, amor e família vamos, pois, aproveitá-la com um gesto simbólico traduzido numa ajuda, mesmo que pequena, ao próximo.

   
Um abraço e cá estarei na próxima semana, pertinho do virar do ano, para mais uma reflexão.

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Rui Chumbita Nunes

Advogado

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