A política de direita provoca um rasto de retrocesso, degradação e injustiça. Os últimos anos, meses, semanas e dias foram marcados por casos de corrupção e situações de investigação judicial. São os escândalos do BPN e do BPP, a fraude e o afundamento do BES/GES, a decisão de prisão para o ex-presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Duarte Lima, em ligação com o BPN, os vistos gold envolvendo altos responsáveis da Administração Pública com ligações ao PSD e ao CDS-PP, as investigações e os últimos desenvolvimentos em torno de José Sócrates. Tudo isto exige que se investigue, apure e julgue e que se condenem aqueles que forem culpados.

   

Estas situações têm no entanto uma base, o domínio dos grupos económicos e financeiros sobre a vida nacional e a fusão com os seus representantes políticos. Uma base expressa, por exemplo, na sucessiva circulação de altos responsáveis do PS, PSD e CDS-PP, os partidos que têm governado o País nos últimos 38 anos, entre responsabilidades de ministros ou secretários de estado e cargos de administradores ou consultores de grupos económicos e financeiros.

   

O processo de restauração dos grupos monopolistas, a política de direita é o caldo de cultura em que se desenvolve a corrupção. A corrupção à margem da lei, mas também a corrupção que sucessivas leis foram legalizando no saque aos trabalhadores, ao povo e ao País.

   

A situação torna claro que o combate à corrupção implica a afirmação e a efectiva aplicação da Constituição da República Portuguesa, do seu projecto, da submissão do poder económico ao poder político, do regime democrático a funcionar em pleno, de uma democracia com uma dimensão política, económica, social e cultural.

   

A situação torna claro que para combater e eliminar a corrupção não bastam declarações, votos piedosos, mais legislação ou entidades reguladoras. Para combater e eliminar a erva daninha da corrupção pela raiz impõe-se acabar com o domínio do capital monopolista. Impõe-se acabar com uma situação em que um por cento da população usa o poder político que controla contra os interesses da esmagadora maioria.
   
E, perante tal quadro, uma outra realidade se evidencia: a força da identidade, do projecto e dos valores do Partido Comunista Português que fizeram e fazem a diferença na sociedade portuguesa.

   

O compromisso exclusivo com os interesses dos trabalhadores, do povo e do País.
   

A concepção e a prática do exercício do poder pelos comunistas, o trabalho, a honestidade, a competência, a força que resulta dos comunistas que exercem cargos públicos assumirem o princípio de não serem beneficiados por esse facto.

   

A política de verdade, contra a mentira de ontem e de hoje daqueles que têm enganado o povo e encaminhado o País para o desastre.

   

Estes valores do PCP são indissociáveis da sua identidade, ideal e projecto. Foram gerados, afirmados e transmitidos por gerações e gerações de comunistas nas últimas nove décadas, são valores assumidos, afirmados e transmitidos às novas gerações, a todos os que se integram no Partido para que cumpra com honra o seu papel.

   

Estas características são um património e uma orientação, mas são acima de tudo o traço inconfundível de um projecto político e uma grande força impulsionadora de esperança e confiança no PCP e na luta por um Portugal com futuro.

   

Vivemos uma situação grave. O Governo PSD/CDS-PP, designadamente através do Orçamento de Estado para 2015 e o PS com o seu compromisso essencial com o Tratado Orçamental e outros instrumentos de domínio da União Europeia e do Euro, a recusa da renegociação da divida e o prosseguimento das privatizações, querem continuar a política ao serviço do grande capital.

   
A continuação da política que conduziu à situação actual só pode levar ao seu agravamento. A solução dos problemas nacionais impõe a demissão do Governo, a ruptura com a política de direita e uma alternativa patriótica e de esquerda. Uma alternativa que exige o reforço do PCP e dos seus aliados na CDU, passa pela convergência dos democratas e patriotas e assenta na força dos trabalhadores e do povo.Fotografia de capa por IntangibleArts

The following two tabs change content below.

Francisco Lopes

Membro da Comissão Política e do Secretariado do CC do PCP
Nasceu em Vinhó, concelho de Arganil em 1955. Desenvolveu actividade associativa no movimento estudantil no Instituto Industrial de Lisboa (actual ISEL) e foi activista do Movimento Democrático tendo no âmbito dessa acção participado no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, em 1973. Foi membro da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em 1973 e 74 e é membro do PCP desde 1974. A sua profissão é electricista, trabalhou na Applied Magnetics, onde pertenceu à Comissão de Trabalhadores e à célula do PCP da empresa. É funcionário do PCP, integra a Comissão Política e o Secretariado do Comité Central, assume a responsabilidade pela Área do Movimento Operário, Sindical e das Questões Laborais e pelas Questões da Organização Partidária e, entre outras tarefas que desempenhou, foi responsável da Organização Regional de Setúbal do PCP. Foi candidato a Presidente da República nas eleições de 2011 e é deputado à Assembleia da República eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal.

Últimos textos de Francisco Lopes (ver todos)