A todas as pessoas que me interpelaram durante a legislatura, nas ruas ou em quaisquer outros lugares públicos, dizendo-me «dê cabo deles lá no Parlamento, que eles fazem-nos tanto mal!», advirto agora que as eleições legislativas são a oportunidade de ouro para que os portugueses em peso deem cabo destas políticas medonhas que foram praticadas no país. Penalizar os partidos do arco da desgovernação (PSD, CDS, PS), que se têm alternado nas maiorias parlamentares e no Governo, pode assumir-se como um desígnio nacional.

Sem pudor, sem vergonha o PSD e o CDS chegaram ao Governo mentindo largamente aos portugueses, afirmando que não aumentariam impostos e que não cortariam salários. Foi exatamente o contrário que fizeram, massacrando um povo inteiro, enquanto o sistema financeiro alargou os seus vastos benefícios fiscais e enquanto os milionários deste país viram, em plena crise, aumentar as suas fortunas. Cresceram as injustiças e as desigualdades. Hoje, nessa mesma lógica de deslealdade procuram iludir em relação aos resultados das suas políticas. Só a título exemplificativo, o PSD e o CDS tentam a todo o custo fazer crer que a emigração não aumentou em relação a outros anos (quando foram 500 mil as pessoas que emigraram por lhes terem retirado oportunidades em Portugal); afirmam que nunca aumentaram o IVA (quando o IVA da restauração aumentou de 13% para 23% e o IVA da eletricidade de 6% para 23%, com graves consequências económicas e sociais); dizem que não aumentou a bolsa de pobreza (quando são já 2,5 milhões de portugueses que se encontram na ou em sério risco de pobreza), dizem que o desemprego está a descer (quando o que está é camuflado pelos programas de formação, pelos desencorajados, pela imensa emigração e o próprio FMI reconhece que nos próximos 20 anos, a continuar-se assim, o desemprego não descerá aos níveis a que se encontrava antes destas políticas de empobrecimento e austeridade serem inaceitavelmente impostas). Estas mistificações e este ‘vale tudo’ representam mais uma ofensa ao povo português.

Na área do ambiente só se preocuparam com as negociatas (ex: privatizaram a EGF, avançaram com o plano nacional de barragens, estimularam o cultivo de transgénicos, liberalizaram o eucalipto) e com as formas de sacar mais dinheiro aos portugueses (ex: uma fiscalidade ambiental não preocupada com o incentivo a melhores desempenhos ambientais, mas apenas criada como forma de arrecadar mais 150 milhões de euros); desinvestiram significativamente na conservação da natureza e da biodiversidade; usaram do maior autoritarismo para a reestruturação do setor da água que deu mais um passo para abrir a porta à privatização desta área crucial para a soberania, para o desenvolvimento do país e para garantir aquele que é um direito humano. De resto, o PEV apresentou um projeto de lei que visava consagrar o princípio da não privatização do setor da água, projeto que foi rejeitado pelo PSD, pelo CDS e pelo PS.

O fundamental, agora que as eleições legislativas se avizinham, é que todos tenhamos bem em conta que esta política de empobrecimento dos portugueses, esta política de venda do país à peça, esta política de subserviência aos grandes interesses económicos, com profundo prejuízo para as micro, pequenas e médias empresas e para a criação de emprego, esta política de liquidação de serviços públicos fundamentais e das funções sociais do Estado, esta política da despromoção da qualidade de vida, não é nenhuma inevitabilidade para o país. Buscar uma alternativa política é o dever de todos os cidadãos conscientes de que este não é um presente nem um futuro aceitável. Os cidadãos do distrito de Setúbal conhecem a postura da CDU nos governos autárquicos, a honestidade, o trabalho e a competência de um projeto que tem como primeira preocupação as populações e a sua qualidade de vida. Conhecem também a consistência do nosso trabalho na Assembleia da República. Contribuir para que a coligação PCP-PEV cresça nas próximas legislativas, é gerar força para uma alternativa de esquerda, sustentada nos valores de um magnífico Abril, e concentrada na dignificação do povo português.

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Heloísa Apolónia

Deputada do PEV eleita pelo distrito de Setúbal

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