Como escrevi na crónica da semana passada, estamos no buraco e no buraco continuámos após mais uma jornada em que o fator casa de nada nos serviu porque, não só não ganhámos, como também ainda estivemos a perder durante largos minutos e, só um pontapé do meio da rua, permitiu empatar, sendo certo que o que conta são as que entram não importa como desde que seja de forma regular e foi.


Mas jogámos com muitas cautelas e com medo do nosso adversário, Belenenses, que este ano tem, efetivamente, estado muito melhor do que nós e isso reflete-se na classificação mas que não é motivo, por si só, suficiente para no nosso reduto mandarmos mais a mais quando estamos aflitos com a corda na garganta, praticamente nos lugares de descida onde, por força do empate continuámos, com a particularidade dos nossos, para já, adversários diretos terem empatado e ganho, respetivamente, Gil Vicente e Académica.


É, por isso, que eu escolhi como título “Culpa Própria”, pois foi a melhor forma ou, talvez, a mais elegante, de manifestar o meu sincero desagrado e incómodo pela situação que estamos a viver quando o campeonato vai caminhando inexoravelmente para o fim, o nosso calendário é bastante complicado, apenas temos 20 pontos e precisamos, pelo menos, de mais 10 para que possamos estar a salvo da descida.


Ainda assim, há que acreditar porque podemos e devemos fazer melhor como, aliás, já o demonstrámos o que faz com que não compreenda muito bem o que se está a passar com a equipa que me parece não acreditar nela própria e nos métodos do seu treinador quando, após a chicotada psicológica, a situação dava ideia de ser totalmente diferente para melhor do que víamos com Domingos Paciência. Já o disse aqui e mantenho que o plantel tem desequilíbrios que os jogadores recentemente chegados ainda não colmataram porque há um conjunto de fatores exógenos que não se resolvem de um dia para o outro mesmo que haja mais valia nos reforços e, tenho para mim, que há, sem esquecer que não aspiro a ser treinador ou expert deste fenómeno desportivo que é o futebol. Sou, na verdade, um mero opinador ainda que me tenha habilitado a acompanhar bem de perto o futebol e, em particular, o meu clube do coração – Vitória – sendo exatamente por isso, que sofro e me desgasto quando as coisas não correm como eu esperava até porque começa a ser bastante perigoso o lugar em que nos encontramos na tabela classificativa.


Como sobejamente tenho referido e escrito, uma descida de divisão poderá ser fatal para o Vitória confessando já aqui e agora que, apesar de estar apreensivo, estou convicto que tal não acontecerá e, como sou um homem de fé, está tudo dito.


Temos, na verdade, mais uma saída difícil a Guimarães mas poderá ser o talismã para darmos a volta por cima rumo à expetável tranquilidade.


Um nota final de rodapé para um outro grande campeão nacional – Nelson Évora – que, apesar de todas as vicissitudes e contrariedades, teve a capacidade e discernimento para ultrapassar todos os momentos difíceis porque passou, voltando a permitir que, mais uma vez, este país fosse falado no mundo não pelo desemprego, pela pobreza, pelas dificuldades de pagar, pelo baixo nível dos nossos políticos, pelos sacrifícios do povo, etc.. Bem haja, por isso, e por conseguir expressar um belo sorriso em contraponto com os momentos pelos quais passou mas em homenagem às pessoas que apoiaram o seu crescimento até à altura em que saltou e à recuperação. É, de facto, um exemplo de perseverança para todos nós e que nos deve, por conseguinte, inspirar porque os campeões fazem-se dessa têmpera.


Parabéns Nelson!


Para a semana cá estarei e… até lá…


Um Abraço.

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Rui Chumbita Nunes

Advogado

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