A minha namorada ensinou-me a pensar sobre mim. Eu nunca pensava sobre mim próprio, achava que era uma perda de tempo. A minha namorada faz-me reparos, faz com que eu me ouça. Antes da minha namorada (“antes de”?)… que estranho haver um antes. Essa é, aliás, uma das nossas regras: não falarmos do que há antes de nós. Não há nada para saber! Essa mentira em que acreditamos faz-nos bem!


Mas hoje é importante falar das minhas ex-namoradas. Referir que elas não foram amor. Foram outra coisa. Uma doença, talvez. O amor pode ser um distúrbio, um desvio, um “pancadão” (maior ainda que a psicanálise).


No caso da minha namorada, é um dois em um: um amor e uma psicanálise. O amor é algo que sempre me afetou, sempre teve um efeito ora deprimente ora eufórico sobre mim. Mas no fundo nunca era eu e a minha namorada ensinou-me isso. Ensinou-me a estar tranquilo. Eu matava o tempo a fingir que era outra coisa (que não era). Vivia ansioso. Sempre a dizer piadas, na tentativa de ser o “palhacinho” do grupo.


A psicanálise do amor da minha namorada mostrou-me que era para que gostassem de mim! E eis que a minha namorada diz: “Podes estar calado!”. Disse “Podes descansar”. E eu descansei. Descansei muito. E as pessoas não deixaram de gostar de mim. Uma lição… de amor!


Fotografia de capa por juandesant

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Olavo Nóbrega

Ator e encenador
Ator, mas também encenador. Orienta (de)formações em expressão dramática. Gosta de conhecer pessoas. Não come carne.

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