Na minha qualidade de escriba semanal destas crónicas, começo a ter manifestas dificuldades em escrever sobre o tema central que me solicitaram quando aceitei o desafio que o Pedro Brinca me lançou – falar do Vitória, ao fim ao cabo o Clube de todos nós e de muitos outros que dele gostam mesmo que seja num sítio longe de Portugal estando, obviamente, a lembrar-me de Cabo Verde onde temos um Ilustre Vitoriano que, por sinal, também é Presidente da República deste país de expressão portuguesa, com um povo fantástico pela simpatia de bem receber e que se habituou a olhar para nós não como colonizadores mas como irmãos.

E porque é que é cada vez mais difícil falar das performances do Vitória? Porque elas vêm sendo muito fracas o que me deixa bastante apreensivo em relação ao futuro apesar de no campeonato (Liga) ainda termos alguma folga. Mas é constrangedor a forma como jogamos sem chama nem alma, com uma equipa desnorteada onde, habitualmente, apenas algumas unidades rendem (Venâncio e Ricardo Batista e a espaços Paulo Tavares) o que explica que tenhamos sido eliminados da prova rainha que é a Taça de Portugal e tenhamos dado uma pálida imagem da grandiosidade deste Enorme emblema contra o Sporting, um jogo que sabemos ser de dificuldade elevada, mas onde não fizemos nem meio remate à baliza de Rui Patrício durante todo o encontro e, se não sofremos golos durante a 1ª parte tal apenas se deveu ao acerto do nosso guarda-redes que, de uma forma atenta, resolveu todas as situações de perigo que o ataque do Sporting lhe criou. É evidente que os plantéis são diferentes, os objetivos também mas a raça essa deveria ser igual e a chama também. Porém, não foi isso que vimos, que vi, sentado na Tribuna Presidencial ao lado do meu grande amigo Vítor Ferreira, atualmente dirigente do Sporting mas que, ao longo das nossas vidas ligadas ao desporto, muitas batalhas travou comigo quer na Federação quer nas Associações na altura em que o edifício desportivo português estava assente no poder e na força dos clubes por regiões e onde o Vitória era um clube ouvido e respeitado pelo seu grande prestígio e também por sempre ter estado ao serviço do desporto de uma forma eclética, com elevação e com independência mas sabendo aliar-se aos seus congéneres com vista a participar nas decisões que envolviam, sobretudo, o futebol.

É inquestionável que os tempos mudaram e que o Vitória foi enfraquecendo e começou a estar ausente dos centros de decisão mas também não deixa de ser verdade que sempre respeitou a verdade desportiva sabendo distinguir o essencial do acessório. Eu sei porque vi com os meus próprios olhos que o William deu, no livre que marcou, 2 toques na bola, que tal aconteceu no centro do terreno e que foi na sequência desse lance que o Sporting abriu caminho para uma quase goleada que, felizmente não aconteceu evitando, assim, o pior cenário e confesso, deixando-me um pouco mais tranquilo porque era disso que eu tinha receio uma vez que, antes do jogo, cheguei a confidenciar para o meu bom amigo Vítor que temia uma goleada, a qual seria muito má após aquele desaire que ninguém compreendeu, da derrota no reduto do Oriental e o afastamento de uma competição onde temos tradição e que só espero não estarmos mais trinta anos sem a ganhar.

Dito isto, o resto são “fait divers” como dizem os franceses porque falar em repetição do jogo é, no meu modesto entender e com todo o respeito, atirar poeira para os olhos dos mais incautos, leia-se sócios, onde eu me incluo mas que não vou por aí porque o árbitro Artur Soares Dias não se apercebeu sequer da infração e, como tal, não é possível falar de erro técnico porque, efetivamente, nesta perspetiva ele, pura e simplesmente, não existe e, por via disso, ponto final.

Temos é de saber dar os parabéns aos adversários quando não conseguimos fazer melhor e apenas por culpa própria fazemos exibições paupérrimas que, apesar de tudo, não fazem parte da nossa cultura porque a nossa massa associativa, apesar de gostar de ganhar fica, normalmente, insatisfeita se não se alia a vitória a um bom desempenho no campo uma vez que, em Setúbal sempre se gostou de ver jogar bom futebol. É pois, isso que temos de fazer e com alguma celeridade porque o campeonato dá muitas voltas e, sem querer agoirar, não gostaria de nos ver com o “credo” na boca porque, como diz o nosso povo, “tantas vezes vai o cântaro à fonte que alguma vez lá deixa a asa”.

Esta semana temos mais um teste de elevada dificuldade no campo do Estoril que, como sabemos, é orientado pelo nosso anterior treinador que, paulativamente, vai arrumando a casa numa equipa mudada do ano passado para este e que, mercê da ótima campanha que fez, viu o seu treinador, Marco Silva, entrar na alta-roda do futebol e que arranjou maneira do Sporting nos ganhar o que, ultimamente, não vinha sendo usual.

Esta é a minha reflexão desta semana, voltarei de hoje a 8 dias e espero, com franqueza, que o sentimento veiculado no início desta crónica tenha mudado porque gosto de escrever e muito mais quando tenho matéria para enaltecer o clube a que estou ligado sentimentalmente.

Bem hajam por se disponibilizarem para me lerem e, finalmente, divirtam-se.

Um abraço.

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Rui Chumbita Nunes

Advogado

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