Os estímulos mediáticos (des)multiplicam-se, tal como as respostas. Com elas surgem consequências e também desafios.

   

A educação para os média e a literacia mediática têm motivado estudos e debates nos últimos anos. Dos média tradicionais – como a imprensa, rádio e televisão – aos videojogos, passando pelos telemóveis, que andam no bolso e para todo o lado. A importância destes temas motivou inclusivamente o lançamento de um portal (literaciamediatica.pt), com o objectivo de “constituir-se como centro de recursos digitais de referência nacional; promover a formação de cidadãos esclarecidos e críticos face aos média; incentivar a interacção entre os cidadãos, os média e as instituições educativas e culturais com actividades na área dos média; contribuir para inscrição da educação para os média e a literacia digital na agenda pública; valorizar a participação dos cidadãos na vida democrática, tirando partido das novas plataformas digitais e redes sociais; estimular a inovação e a criatividade nos métodos e conteúdos da formação e educação através de uma leitura crítica dos media, dos novos media e das novas redes sociais”. Para pais, professores, alunos, investigadores… resumindo, para todos os cidadãos.

   

Recuperei o tema a propósito da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais (17 de Maio) – tornada pública no dia de São Francisco de Sales (23 de Janeiro), padroeiro dos jornalistas e dos escritores. O essencial da mensagem é o de que a família é o espaço previligiado para a comunicação. É onde ela começa. Desde a que se estabelece com a criança, ainda no ventre materno, à que é “devolvida” por ela quando se expressa pela primeira vez. Seja por sons ou articulando as primeiras palavras. A família reúne pessoas com características diferentes, formas de estar diferentes. É nela que ocorrem momentos de conflito e de reconciliação. É no seu seio que se comunica. Seja com palavras, atitudes ou silêncios. As primeiras relações sociais surgem ali. Direi que é um laboratório de comunicação.

   

Dei comigo a pensar que os desafios são tremendos actualmente. Olhando à volta, ao contexto económico-social e às famílias que conheço, pergunto-me que tempo dedicam os país a este tipo de educação? O que fazem? E como fazem? Aliás, será que fazem? Que outros educadores intervêm no processo? Professores? Avós? Irmãos? Amigos? Quem educa os educadores para os média?

   

A capacidade de interpretar os estímulos e os conteúdos mediáticos reveste-se de particular importância. Para “consumidores” e produtores. E neste campo o jornalismo também agradece, pois só com cidadãos críticos poderá desempenhar aquele que é o seu papel: ajudar a sociedade a interpretar-se, a compreender-se.

   

Por ora, termino. Falamos depois.

   

Nota: Autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.Fotografia de capa por karola riegler photography

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Pedro Jerónimo

Docente no Ensino Superior
Setúbal, cidade e distrito, territórios que gosto de visitar. A primeira vez foi por culpa do Setúbal na Rede e mais concretamente do seu fundador, Pedro Brinca. Estava então a iniciar o doutoramento – em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais – que me aguçou a curiosidade sobre o primeiro jornal exclusivamente digital em Portugal. Acumulava então esse percurso com o de jornalista num jornal regional, ali mais para norte, em Leiria. Os média e o jornalismo de proximidade, offline e online, motivam pois os interesses de investigação, num percurso que actualmente se faz, profissionalmente falando, no ensino superior.

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