Começa hoje uma nova etapa na vida de milhares de jovens, com a entrada no Ensino Superior. Há quem já não veja sentido em prosseguir estudos, porém, também há quem pense exactamente o contrário. E este ano até houve um crescimento nos colocados na 1.ª fase, comparativamente ao mesmo período de 2014. Esta será a principal novidade, sendo que Medicina se mantém com as médias mais elevadas, mas também como sendo a área mais procurada. Embora não esteja no topo da procura e das médias de entrada, não posso deixar de sublinhar os cursos da área das Ciências da Comunicação.

No caso particular do Jornalismo, temos assistido a um “esvaziamento das redacções”. A começar pelos jornalistas mais experientes. Sobretudo por já não estarem em início de carreira e, por isso, não poderem ser pagos com nada ou, na “melhor” das hipóteses, com o mínimo dos mínimos e a recibos verdes. É o que sucede com boa parte dos estagiários, que procuram aproveitar esse “vazio” para ganhar traquejo. O reverso da medalha é, com demasiada frequência, a construção das notícias e reportagens pouco aprofundadas e pouco contextualizadas. Não que seja sempre assim e em todos casos, porém, o risco de erro é diferente num profissional experiente daquele que ainda não o é.

Se antigamente a redacção era um espaço não só para o saber-fazer, como também para o saber-saber, actualmente esta competência pode ser adquirida num curso. Não que ela não possa ocorrer ou prosseguir naqueles espaços, porém, os recursos e o tempo existentes nem sempre permitem que os jornalistas se questionem ou debatam sobre aquilo que fazem e da forma como o fazem. E contrariamente ao que se possa pensar, a procura e a exigência de entrada neste tipo de formação superior, tem-se mantido alta. No quadro que se segue, podemos ver que, em cinco instituições, a média de entrada do último colocado na 1.ª fase de acesso ao Ensino Superior (público), tem variado entre os 15 e os 17 valores. Para além disso, nos últimos anos – aqueles em que a crise económica se tem feito sentir com maior intensidade – tem sido raros os casos em que sobram vagas para a 2.ª fase de candidatura. Quer isto dizer que o interesse e a procura por estas áreas tem sido elevado.

Médias 2015

Médias 2015

Se, por um lado, as oportunidades de emprego parecem escassear, sobretudo ao nível do Jornalismo, por outro lado, não podemos esquecer que as duas últimas décadas têm sido desafiantes. O aparecimento e a evolução de diferentes suportes e plataformas, tem feito surgir igualmente novas actividades. Quem imaginaria que na actualidade existissem ciberjornalistas, editores ou gestores de redes sociais, designers digitais, infografistas interativos, produtores de vídeo para a web, analistas de audiências ou editores para dispositivos móveis? E quem fala no caso do Jornalismo, pode falar num âmbito mais geral, o da Comunicação. Faz, pois, sentido prosseguir estudos nestas áreas. Sobretudo em plena era digital e de comunicação em multiplataformas, onde as esferas pessoal e profissional se diluem. Lugares onde a sociedade se decide e se (des)constrói. E com o aproximar de um momento politicamente determinante para o país, porque não sublinhar que é também lá que cada vez mais o debate e combate eleitoral ocorre com maior intensidade.

Por ora, termino, aproveitando para apelar a que vá votar nas Legislativas (4 de Outubro). Falamos depois 🙂

Nota: Autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.
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Pedro Jerónimo

Docente no Ensino Superior
Setúbal, cidade e distrito, territórios que gosto de visitar. A primeira vez foi por culpa do Setúbal na Rede e mais concretamente do seu fundador, Pedro Brinca. Estava então a iniciar o doutoramento – em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais – que me aguçou a curiosidade sobre o primeiro jornal exclusivamente digital em Portugal. Acumulava então esse percurso com o de jornalista num jornal regional, ali mais para norte, em Leiria. Os média e o jornalismo de proximidade, offline e online, motivam pois os interesses de investigação, num percurso que actualmente se faz, profissionalmente falando, no ensino superior.

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