A semana passada, por motivos profissionais, que me fizeram ausentar com frequência de Setúbal, não consegui escrever a habitual crónica do “Sentado na Bancada”. É a segunda vez que tal acontece e, ainda que tal não me deixe propriamente satisfeito, há alturas em que não se consegue cumprir com os objetivos a que nos propomos. Tentarei, obviamente, no futuro, evitar mais falhas o que julgo que se consegue com um pouco mais de disciplina de escrita. De qualquer forma, e de uma forma humilde, peço desculpa aos meus fiéis leitores.
   
A semana finda foi exatamente a altura em que houve aquilo que nos habituámos a conhecer, desportivamente, como chicotada psicológica.
   
Em princípio, sou contra este tipo de situações e lembro-me que, no tempo em que fui Presidente do Vitória, sempre resisti à mudança de treinador quando as coisas não corriam bem ou, pelo menos, como desejávamos.
   
Aliás, segurei na altura, contra a opinião dos meus pares, o Carlos Carvalhal, estávamos na II Liga e o objetivo de subida estava periclitante para além de que este, após um resultado negativo, resolveu colocar o lugar à disposição. Segurei-o, tendo apelado à calma e tranquilidade a fim de que o trabalho iniciado tivesse continuidade e os resultados acabaram por aparecer com naturalidade, mais a mais porque tínhamos uma das melhores equipas do à altura passado recente, tendo o Vitória regressado à I Liga e feito excelentes épocas uma delas com a conquista da Taça de Portugal.
   
É evidente que, na altura da chicotada, não era possível meter mais tempo a cabeça na areia e, por isso, apesar da minha posição, a Administração da SAD agiu bem até porque, na minha opinião, os jogadores já não estavam com o treinador Domingos Paciência, ideia que reforcei ao ver o último jogo com o Rio Ave onde se constatou a vontade dos atletas em dar a volta ao texto, sacudindo a crise como, aliás, resulta bem patente das declarações de um dos melhores em campo, Paulo Tavares, que destacou a união do grupo e o empenho no trabalho com o novo treinador para demonstrar que há qualidade e valor para seguir em frente. Por outro lado, a entrada de novos jogadores ajudou a que houvesse melhoria na equipa porque o coreano Suk é, de facto, bom jogador, tem uma enorme mobilidade, dá muito trabalho e desgasta os defesas adversários porque nunca está quieto na frente, tem bons pés e é ágil a pensar.
   
Resta agora ver como se comporta o médio Dávila que já deu excelentes indicações nos treinos e traz um selo de garantia que resulta do facto de pertencer aos quadros do Chelsea que, no meu modesto entendimento, tem como, aliás, já o escrevi nestas crónicas, o melhor “scouting” do mundo porque Mourinho não facilita e sabe o que faz no recrutamento de jovens jogadores. A aliar a tudo isto talvez o melhor reforço – Bruno Ribeiro, um atleta ímpar vitoriano dos sete costados, ambicioso e com a cultura do clube o que é, sem dúvida, muito importante para obter bons resultados.
   
Por outro lado, Bruno Ribeiro conhece bem a rivalidade do clube, a formação e o pulsar das gentes vitorianas o que o coloca numa posição privilegiada para ser o timoneiro.
   
Aliás, basta olhar para a convocatória que fez para o último jogo para melhor se compreender o que acabo de dizer. No onze havia 5 atletas da formação do Vitória o que é de salientar e de louvar e augura uma vontade do treinador de apostar nos bons valores que, apesar de todas as vicissitudes do clube, neste se vão formando. Finalmente, uma última nota para realçar o discurso de Bruno Ribeiro a elevar o moral dos jogadores ao dizer que foram fantásticos e que o plantel do Vitória tem qualidade e que irá fazer um excelente trabalho. Foram todos estes ingredientes que permitiram levar de vencida o europeu Rio Ave estando eu esperançado que no Campeonato iremos, novamente, fazer em Barcelos, um bom jogo até porque o adversário está atrás de nós na tabela e é relevante, com todo o respeito pelo Gil Vicente, que assim continue. Como até lá há Taça da Liga e o Sporting, o meu desejo é que o jogo em Alvalade seja um bom prenúncio de mais uma jornada vitoriosa no próximo domingo.
   
Para a semana voltarei com mais reflexões sobre o Clube de quem todos gostamos.
   
Até lá.

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Rui Chumbita Nunes

Advogado

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