No período do Natal e do Ano Novo o país foi novamente confrontado com inúmeras situações anómalas nas urgências dos hospitais portugueses devido à carência de profissionais de saúde e que se traduziu em elevados tempos de espera, tendo a ausência de assistência levado mesmo à morte de pessoas.

   

O que se passou nas urgências hospitalares não se trata de situações pontuais. Devido à enorme falta de profissionais de saúde a rutura dos serviços de urgência hospitalares, infelizmente é frequente.

   

Esta é uma realidade que a população do Distrito de Setúbal conhece bem. Há muito que os tempos de espera no serviço de urgência no Hospital Garcia de Orta por norma são muito elevados ou o serviço de urgência no Hospital do Barreiro por vezes chega mesmo a não receber mais doentes por falta de capacidade de resposta.

   

A situação a que chegaram os hospitais portugueses e a que chegou o Serviço Nacional de Saúde tem responsáveis – a política de direita e os sucessivos governos do PS, PSD e CDS-PP, muito agravada pelo atual Governo.

   

A política de saúde do Governo PSD/CDS-PP caracteriza-se pelo desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde, pela desvalorização profissional e social dos profissionais de saúde ou pela enorme restrição na contratação de profissionais de saúde em falta, o que se traduziu na degradação da prestação de cuidados de saúde e nas crescentes dificuldades da população no acesso à saúde.

   

Há muito que denunciamos que esta política conduz à morte antecipada dos portugueses.

   

A carência de profissionais de saúde não se colmata com a subcontratação de profissionais de saúde através de empresas de trabalho temporário. A carência de profissionais resolve-se definitivamente com a contratação dos profissionais de saúde em falta, integrando-os na carreira com direitos, garantindo-lhes progressão na carreira e desenvolvimento profissional.

   

A subcontratação de profissionais de saúde através de empresas não é parte da solução, é antes parte do problema – não garante o conceito de equipa, há uma enorme rotatividade dos profissionais de saúde, os profissionais de saúde não conhecem a organização e muitas vezes não reconhecem a hierarquia, conduzindo a uma grande instabilidade nos serviços, prejudicial ao seu funcionamento e na degradação da prestação de cuidados aos utentes.

   

O que se exige ao Governo é que faça um levantamento das necessidades de profissionais de saúde e que proceda à sua contratação.

   

Está cada vez mais claro que este Governo não quer investir no Serviço Nacional de Saúde universal e de qualidade para todos.

   

Está cada vez mais claro que a política prosseguida por este Governo confronta os princípios constitucionais do direito à saúde.

   

Portanto, a solução para o Serviço Nacional de Saúde, a solução para garantir os cuidados de saúde passa pela demissão do Governo, a rutura com a política de direita, por uma política alternativa, patriótica e de esquerda, assente nos valores de Abril.

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Paula Santos

Deputada do PCP eleita pelo Círculo de Setúbal
Deputada do PCP eleita pelo círculo eleitoral de Setúbal, membro da Comissão de Saúde, da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local e da Comissão de Negócios Estrangeiros. Membro da Assembleia Municipal do Seixal. Licenciada em Química Tecnológica.

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