A minha cidade tem muito para dar e mostrar a quem venha visitá-la. É procurada por um número crescente de turistas e precisa cada vez mais deles, porque o turismo é poderosíssimo estímulo da economia, gerador de emprego e de riqueza, receita garantida e imediata. Para encantar e atrair ainda mais, e para além da beleza natural que a enquadra, da riqueza do património construído, das infraestruturas que se vão complementando, da gastronomia de excelência que tem para oferecer, poderia e deveria estar mais limpa, cuidar melhor dos seus espaços verdes e apresentar-se mais florida, atributos que se requerem numa cidade moderna.

Setúbal, é inegável, melhorou muito nos últimos anos no respeitante à limpeza, mormente no centro da cidade. Nos bairros, a conversa é outra: há dejetos de cão pelas ruas, os contentores do lixo e os locais dos mesmos não são limpos com a regularidade que deviam, os lixos são varridos como calha e quando calha. As alminhas aporcalhadas que se acham no direito de deixar na rua os «presentes» dos seus animais, deviam ser alertadas com avisos a apelar a algum resquício de consciência cívica que ainda lhes reste no bestunto, e a lembrar a existência da disposição legal que obriga e da coima que pune. Relativamente à limpeza dos lixos, já houve algum controlo sobre o trabalho que era feito. Notava-se. Hoje, quem controla quem e o quê? É tema delicado falar-se do planeamento e da supervisão de quem manda, e da vontade, da consciência e do brio de quem trabalha. Contudo, o que vemos nos bairros não pode agradar ao morador que paga todas as taxas e taxinhas, e por aqui me fico. É natural que os trabalhadores das limpezas se desforrem da precaridade do trabalho e da miséria que lhes pagam, mas esse é um departamento para quem de direito, e a que não vim.

“O que é que Setúbal tem contra as flores?”, já terão perguntado centos de turistas e ando eu a perguntar-me há anos. As flores, como alindam os parques, os jardins, as praças, os recantos, as povoações! E a falta que elas fazem para nos alegrar a alma! Uma cidade sem flores é como uma mulher desleixada, perde encanto. As cidades não atraem visitantes apenas com festas e comezainas. A beleza das urbes é um elemento decisivo na sedução de forasteiros, e tem ganhos consideráveis com a qualidade das infraestruturas verdes e com a prodigalidade e formosura dos espaços floridos. “Está mais florida em cada canto…”, lê-se na letra de Bruno Frazão (marcha popular de 2014). Era bom, era. Mas para vermos umas florezitas na terra de Bocage, é preciso procurarmos muito. Não vemos em Setúbal canteiros de amores-perfeitos ou de rosas ou de cravos ou de goivos ou outro que se diga benza-te Deus, como podemos ver em cidades e vilas com muito menos notoriedade e recursos bem mais modestos. A Avenida Luísa Todi, a Praça de Bocage (tanta pedra, tanta pedra…), o Parque do Bonfim, os jardins de Nossa Senhora do Cais e de Algodeia, devidamente floridos, a alegria e o encanto que acrescentariam a esta cidade!

Aproveitem-se, pelo menos, as rotundas acabadas de fazer, para plantar flores – a propósito, a rotunda da Praça de Portugal está uma beleza, sim senhor, e é exceção e exemplo a seguir. Não as maltratem com terra imprópria e relva enfezada, árvores e arbustos estranhos e raquíticos (basta o que já vai pela cidade), nem com os tapetes de gravilha que agora estão na moda e que revelam uma falta de gosto atroz. Completem-nas com estatuária digna e representativa das gentes e das tradições setubalenses, à semelhança do que se tem feito por esse país a fora.
No fundo, trata-se de fazer de Setúbal uma urbe mais asseada, mais bela, mais moderna, que orgulhe os naturais e os que a adotaram como sua, e que encante e atraia ainda mais quem a visita.
Fotografia de PS-OV-ART Patty Sue O’Hair-Vicknair, Artist

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Juvenal Danado

Professor

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