A situação do país após décadas de política de direita, agravada com a política dos PEC e do Pacto de Agressão, é profundamente difícil.

Ao mesmo tempo PS, PSD e CDS-PP, os partidos responsáveis pelo afundamento do País, apesar de toda a dissimulação, deixam antever, naquilo que vão dizendo, que querem continuar este rumo de exploração, empobrecimento e declínio nacional. Sacrificar os trabalhadores, o povo e o País ao serviço do grande capital nacional e transnacional, se tiverem força para tal, é o que querem fazer, de forma ainda mais agressiva, depois das eleições.

O desenvolvimento recente na União Europeia e na zona euro, com a chantagem e ingerência sobre a Grécia, aproveitando as contradições, hesitações e cedências do governo grego, para impor mais um drástico programa de exploração e empobrecimento, é revelador da natureza da União Europeia, mostra que a propalada “União Europeia da coesão e solidariedade” não existe.

Este processo revela também que o Governo PSD/CDS-PP e o Presidente da República se associaram à chantagem sobre a Grécia numa posição que visa impor mais exploração e empobrecimento aos trabalhadores e ao povo da Grécia, mas que, acima de tudo, visa justificar a sua ação contra os trabalhadores e o povo português e preparar o aprofundamento da ofensiva contra os seus interesses e direitos. A mesma atitude tomou o PS associando-se e valorizando o seu contributo para um “acordo” com o conteúdo desastroso que comporta em nome da integridade da zona euro.

Esta evolução confirma o euro como um instrumento de subjugação e dependência e vem dar acrescida razão ao PCP, quando coloca a necessidade do estudo e preparação do País para se libertar da submissão ao euro. É inaceitável que em nome do euro se sacrifiquem o emprego, a produção e o aparelho produtivo, os salários, as pensões, os serviços públicos, a democracia, o presente e o futuro. Não podemos ter um País acorrentado às atitudes discricionárias de Bruxelas e Berlim, um povo refém das chantagens do BCE ou do Eurogrupo.

Esta é uma questão incontornável. É uma irresponsabilidade não a considerar. Assumimos a necessidade e importância de Portugal dispor de soberania orçamental, cambial e monetária.

A libertação da dependência externa e do domínio do capital monopolista, é fundamental para o desenvolvimento, a democracia, a soberania, para uma vida melhor e um Portugal com futuro.

Fotografia de pedrosimoes7

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Francisco Lopes

Membro da Comissão Política e do Secretariado do CC do PCP
Nasceu em Vinhó, concelho de Arganil em 1955. Desenvolveu actividade associativa no movimento estudantil no Instituto Industrial de Lisboa (actual ISEL) e foi activista do Movimento Democrático tendo no âmbito dessa acção participado no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, em 1973. Foi membro da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em 1973 e 74 e é membro do PCP desde 1974. A sua profissão é electricista, trabalhou na Applied Magnetics, onde pertenceu à Comissão de Trabalhadores e à célula do PCP da empresa. É funcionário do PCP, integra a Comissão Política e o Secretariado do Comité Central, assume a responsabilidade pela Área do Movimento Operário, Sindical e das Questões Laborais e pelas Questões da Organização Partidária e, entre outras tarefas que desempenhou, foi responsável da Organização Regional de Setúbal do PCP. Foi candidato a Presidente da República nas eleições de 2011 e é deputado à Assembleia da República eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal.

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