Depois da magistral aula de aritmética concluindo que 19-1 = 18 e da pacovice saloia de mandar os acompanhantes fazer ó-ó, julguei que já tinha visto tudo.

Mas não. Dias depois eis que PPC, num encontro qualquer do PSD, decidiu apresentar esta “pérola” do seu pensamento mais salazarento: “Só se deve gastar o que se tem”, o que deve ter gelado o sangue dos banqueiros porventura na sala.

Não vou referir o consumo nem a recorrente compra de viaturas topo de gama, objetivo primeiro de qualquer Boy e Girl, que aliás certamente não a faz a pronto.

Vou antes dar um exemplo simplificado de uma empresa fictícia para provar a perigosidade deste tipo de raciocínios (que felizmente os industriais de sucesso não partilham) tanto ao nível do desenvolvimento como à criação de emprego sustentável como ainda social.

Imaginemos uma pequena empresa que tem mercado para se dedicar a fazer chavetas para veios de motores com material do cliente. O preço a que consegue colocar o produto no mercado são € 1,00.

Tem 2 soluções: ou faz tudo manual com serra e limatão (solução PPC), até ter dinheiro para comprar pelo menos uma rebarbadora e produz entretanto 8 chavetas/dia (8 € /dia), o que mesmo considerando que não tem outras despesas não lhe dá nem para pagar o salário mínimo, quanto mais reunir capital para comprar a rebarbadora com dinheiro próprio. O projeto é assim abandonado, o PIB diminui e lá fica mais um no Fundo de Desemprego. Na outra opção começa por comprar “a crédito” uma rebarbadora e produz 40 chavetas/dia (40 €/dia) o que lhe dá para pagar os consumíveis e ainda rapidamente amortizar o empréstimo. Claro que o PIB aumenta e há menos um no FD.

É assim tão difícil?

O que é preciso é abandonar a mentalidade de novos ricos, com a mania dos Doutores e carros topo de gama (com influências devastadoras na Balança de Pagamentos), geralmente desprezando a população, e privilegiar fortemente o investimento produtivo, o que há décadas não é feito.

Fotografia de Internet Archive Book Images

The following two tabs change content below.

António Jardim

Engenheiro

Últimos textos de António Jardim (ver todos)