Os últimos anos foram marcados por uma política de afronta, humilhação e atentado contra a dignidade dos trabalhadores, do povo e do País.


A política de direita, agravada com os PEC e o Pacto de Agressão da troica, significou redução drástica da produção nacional, aumento brutal do desemprego, um surto emigratório sem paralelo desde o fascismo, agravamento da exploração, cortes nos salários e nas pensões, degradação dos serviços públicos, em particular na saúde, negação de apoios sociais, um empobrecimento generalizado, ao mesmo tempo que aumentou a concentração da riqueza, o saque dos recursos nacionais, o comprometimento da soberania.


A submissão aos PEC e ao Pacto de Agressão com a troica foi pensado pelos seus promotores procurando a intervenção dos centros do grande capital transnacional como forma de garantir um salto qualitativo na política de direita. Os últimos anos foram marcados pela ingerência externa, mas uma ingerência procurada e saudada pelos representantes políticos do grande capital em Portugal, o PS, o PSD e o CDS-PP.


Agora, quando o actual Presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker, embora hipocritamente, vem reconhecer que os anos da troica significaram humilhação e atentado contra a dignidade dos portugueses, como dos gregos e dos irlandeses, a reacção do Governo PSD/CDS-PP, dizendo que nada nos últimos anos atentou contra a dignidade dos portugueses, revela até que ponto o Governo está comprometido com a estratégia do grande capital e da dependência externa contra o povo português.


O comportamento do Governo PSD/CDS-PP e do Presidente da República no recente processo na União Europeia sobre a Grécia confirmou também essa opção. Colocaram-se ao lado dos centros de decisão da União Europeia, dos especuladores que promovem o saque dos recursos nacionais, apontando o dedo à Grécia, mas acima de tudo numa posição contra os interesses nacionais.


Afronta, humilhação e atentado contra a dignidade do povo português é o que traduz a política e o comportamento destes responsáveis políticos. Uma situação que coloca a necessidade do afastamento do poder político daqueles que agem como delegados da União Europeia e do capital transnacional, contra a Constituição da República Portuguesa, da necessidade da ruptura com a política de direita. Um grande objectivo que se coloca aos trabalhadores e ao povo português, um compromisso de acção do Partido Comunista Português.


Fotografia de capa por Zuerichs Strassen

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Francisco Lopes

Membro da Comissão Política e do Secretariado do CC do PCP
Nasceu em Vinhó, concelho de Arganil em 1955. Desenvolveu actividade associativa no movimento estudantil no Instituto Industrial de Lisboa (actual ISEL) e foi activista do Movimento Democrático tendo no âmbito dessa acção participado no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, em 1973. Foi membro da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em 1973 e 74 e é membro do PCP desde 1974. A sua profissão é electricista, trabalhou na Applied Magnetics, onde pertenceu à Comissão de Trabalhadores e à célula do PCP da empresa. É funcionário do PCP, integra a Comissão Política e o Secretariado do Comité Central, assume a responsabilidade pela Área do Movimento Operário, Sindical e das Questões Laborais e pelas Questões da Organização Partidária e, entre outras tarefas que desempenhou, foi responsável da Organização Regional de Setúbal do PCP. Foi candidato a Presidente da República nas eleições de 2011 e é deputado à Assembleia da República eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal.

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