Nesta semana, no âmbito do contacto dos eleitos comunistas na Assembleia da República com a realidade local do Distrito de Setúbal, o PCP realizou um encontro com as organizações representativas dos trabalhadores das empresas do Parque da AutoEuropa e da AutoEuropa.

Fala-se muitas vezes da AutoEuropa, mas raramente há uma referência à situação dos trabalhadores e das empresas do Parque da AutoEuropa.

Atualmente o Parque da AutoEuropa tem cerca de duas dezenas de empresas e mais de dois mil trabalhadores. As empresas do Parque no essencial são fornecedoras de componentes para os carros produzidos na AutoEuropa. Por isso, quando se regista algum problema na AutoEuropa, isso tem reflexos imediatos nas empresas do Parque.

Perante a situação nacional e internacional no setor automóvel, marcado por várias dificuldades, muitas empresas do Parque procuraram diversificar a sua produção, para não dependerem exclusivamente da AutoEuropa.

Hoje os trabalhadores do Parque estão confrontados com uma grande incerteza. Brevemente a AutoEuropa deixará de produzir o carro desportivo, Volkswagen Eos e a produção do novo carro, segundo informações obtidas, só deverá iniciar-se em 2017, portanto os próximos dois anos serão de dificuldades.

Com o fim da produção da viatura pela AutoEuropa, a empresa Webasto (multinacional) que produz exclusivamente para a AutoEuropa vai parar a produção no final do próximo mês de junho, com a destruição de cerca de 90 postos de trabalho.

As empresas estão a concorrer à produção de componentes para o novo carro que a AutoEuropa irá produzir, mas ainda não sabem se ficam ou não com essa produção.

Nesta legislatura o PCP apresentou uma iniciativa legislativa que recomenda um conjunto de medidas para o setor automóvel, no sentido da sua dinamização.

A par da dinamização do setor automóvel, importa também tomar medidas que vão ao encontro do objetivo de incorporação de mais valor acrescentado nacional na produção de carros, que estimulem a produção nacional, a criação de emprego e a criação de riqueza.

É neste sentido que entendemos que devem ser tomadas medidas para evitar a destruição dos postos de trabalho da Webasto, garantindo a continuação da sua laboração. A Webasto, a AutoEuropa e o Governo devem encontrar soluções que assegurem a atividade produtiva na unidade fabril da Webasto em Palmela. Como afirmaram os trabalhadores é o fim da produção, não é o fim da empresa. E tanto assim é que esta empresa vai abrir uma unidade fabril na Roménia para a produção de um novo produto, onde os custos de mão-de-obra são mais baixos, quando poderia ser feito aqui.

As situações das empresas do Parque refletem-se nas condições remuneratórias e de trabalho dos trabalhadores. De uma forma geral essas condições são caracterizadas por salários baixos. Apesar de os custos de produção mais significativos se prenderem com a logística e a energia, são os trabalhadores que são penalizados, com baixas remunerações e sem direitos (trabalhadores temporários), com a desregulamentação dos horários de trabalho ou com a destruição de postos de trabalho como ocorreu nos últimos anos.

Os trabalhadores das empresas do Parque da AutoEuropa defendem e lutam pela valorização salarial, pelo respeito dos seus direitos, pela garantia de condições de trabalho dignas e pelos seus postos de trabalho e a produção nacional.

Devido à luta e ação reivindicativa dos trabalhadores e das suas organizações representativas (comissões sindicais e comissões de trabalhadores), os trabalhadores conquistaram aumentos salariais nalgumas empresas, como foi exemplo, o aumento de 50 euros para todos os trabalhadores da SMP ou a atualização salarial na INAPAL Plásticos, que nos salários mais baixos teve uma expressão mais significativa.

Saudamos a luta dos trabalhadores. Demonstraram que vale a pena lutar.

Fotografia de WillVision Photography

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Paula Santos

Deputada do PCP eleita pelo Círculo de Setúbal
Deputada do PCP eleita pelo círculo eleitoral de Setúbal, membro da Comissão de Saúde, da Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local e da Comissão de Negócios Estrangeiros. Membro da Assembleia Municipal do Seixal. Licenciada em Química Tecnológica.

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