Estamos oficialmente em período eleitoral como se percebe pela súbita preocupação de Passos Coelho com as desigualdades sociais, as piedosas declarações de Maria Luís sobre a possibilidade de redução de impostos, ainda que infelizmente só já no mandato do próximo Governo, e até algumas ideias que repentinamente brotaram sobre a realização de alguns investimentos após quatro anos de maldição.

Desta vez ninguém se pode eximir a fazer uma escolha decisiva invocando desconhecimento do que os espera, desinteresse pela irrelevância das opções ou abúlicas desculpas sobre ser quase tudo mais ou menos o mesmo.
Nunca desde o longínquo PREC de 1975 tivemos quatro anos tão marcados pela tensão social, pela intransigência governativa e por uma agenda ideológica apostada na alteração radical do consenso social de quatro décadas de democracia.

A sanha de descrédito sobre os serviços públicos e o anátema lançado sobre os funcionários, a aposta na redução de salários, na eliminação da contratação coletiva e na generalização da precariedade e a incerteza lançada sobre a estabilidade e viabilidade das pensões já constituídas, constituem uma violenta e consciente estratégia destinada a quebrar as bases do dialogo social , a destruir a solidariedade entre gerações e a fragilizar a resposta da sociedade à agenda do PREEC de direita.

A sofreguidão de concluir processos de privatização tornando irreversível a destruição de instrumentos de intervenção do Estado em domínios de relevante interesse público é um sinal de desprezo pelo princípio da renovação da legitimidade democrática revelador das verdadeiras prioridades da atual maioria de direita.

Em Setúbal a conjugação das consequências da paralisação de todos os projetos estruturantes para a região e a circunstância da lista da coligação de direita ser liderada pelo rosto da austeridade e do desastre social tornam as opções ainda mais óbvias.

Só o PS pode ser uma alternativa de Governo à atual maioria pelo que a escolha entre a redenção pela austeridade destruidora e promoção da inovação e da criação de riqueza, entre a destruição da segurança social, da saúde e da educação para todos ou a sua afirmação como garantias da igualdade de oportunidades passam por uma nova maioria liderada por António Costa.

Em Setúbal , agora a eleger 18 deputados, está um dos principais focos da mudança. Um contributo decisivo para um novo Governo com António Costa como Primeiro-Ministro depende de um elevado nível de participação eleitoral e da compreensão de que outras opções de voto à esquerda apenas fazem sentido se contribuírem para uma mudança política no sentido da defesa dos valores da igualdade e da justiça social.

Designadamente o PCP, tradicionalmente com uma significativa representação eleitoral na nossa região, não pode desta vez refugiar-se em retóricas evasivas e insistir na assimilação entre o PS e a direita. Face às tragédias sociais dos últimos anos o PCP tem de ser claro na sua disponibilidade para contribuir para uma solução governativa que alter o atual estado de coisas ou remeter-se à função inútil de força de protesto inconsequente.
A pior das opções é a demissão cívica de ficar em casa a 4 de Outubro. A opção pela mudança e pela restauração da confiança no futuro está nas tuas mãos.Fotografia de National Library NZ on The Commons

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Eduardo Cabrita

Deputado do PS eleito pelo distrito de Setúbal
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