Celebraram-se há poucos dias 30 anos sobre a assinatura do tratado de adesão de Portugal à então CEE. Depois de um ciclo ultramarino de quase seis séculos Portugal encontrava um novo posicionamento estratégico na família das democracias europeias.
A participação na construção da unidade europeia foi uma viragem tão decisiva como o 25 de Abril ou as primeiras eleições livres .Novamente neste desafio o PS,que dissera que a Europa estava connosco na luta pela liberdade em 1975, voltou a encarnar o melhor do espírito de transformação da sociedade portuguesa.

Tal como soubera estabelecer a fronteira das liberdades não permitindo retrocessos depois do 25 de Novembro também na questão europeia Soares foi o símbolo da clarividência enquanto Cavaco , recém-eleito líder do PSD na Figueira da Foz, evidenciou a tacanhez e espírito rancoroso que marcaram a sua longa carreira política ao tentar travar a adesão e ao fazer cair o Governo no dia seguinte.

Que diferente se tornou o Portugal europeu da tristeza envergonhada do “orgulhosamente sós “. E também para os saudosistas talvez valha a pena lembrar a tortura que era passar fronteiras,o incómodo de cambiar moeda de terra em terra e a miséria que era circular entre Vila França e os Carvalhos ou de Setúbal até ao Algarve.
Lembrar esta Europa da liberdade,do desenvolvimento e da solidariedade torna ainda mais penoso o atual pântano em que se vai afundando o sonho europeu.
As últimas semanas foram trágicas apesar do desvio da atenção focada na questão grega.
Depois do sucesso dos vários bandos xenófobos e antieuropeus nas eleições para o Parlamento de Estrasburgo estamos perante uma calamitosa sequência de resultados nacionais.

Cameron,com uma maioria parlamentar absoluta conquistada com 37% dos votos, já começou a chantagem com a Europa enquanto vai ameaçando com a antecipação do referendo sobre o “Brexit”. Na Polónia um quase desconhecido nacionalista derrotou nas eleições presidenciais o incumbente europeista.

Na Finlândia os chauvinistas que se intitulam”Verdadeiros Finlandeses” estão já no Governo como segunda força de uma coligação euro-intolerante.

Finalmente na feliz Dinamarca a extrema- direita populista será a maior força do novo bloco de poder continuando a ameaçar determinar opções de fora sem pagar os custos da potencial impopularidade governativa.

É neste ambiente de chumbo europeu que teremos de abordar a mobilização de recursos indispensáveis para um relançamento da economia portuguesa.

Credibilidade e alternativa ao desastre dos últimos envolvem uma estratégia europeia que permita reconstruir as pontes da esperança.

Em Setúbal,por onde passa tanto na capacidade exportadora e de inovação,estamos confrontados com o desafio de no Outono criar condições políticas para fazer diferente em Portugal e na Europa.

Fotografia de rockcohen

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Eduardo Cabrita

Deputado do PS eleito pelo distrito de Setúbal
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