Foi notícia na imprensa a execução de 148 estudantes em Garissa, pelos extremistas islâmicos, só porque professavam a religião cristã, tendo Daniel Oliveira escrito no EXPRESSO de 09.04.2015:

“Somos Charlie, não somos um cristão em Garissa. 148 cristãos executados, dentro de uma universidade, por terem a religião errada. Mais uns pretos mortos. Coisas que acontecem em África. Nenhuma multidão se juntou nas ruas europeias, não houve um movimento viral global nas redes sociais, os canais de notícias não pararam a sua programação para fazer diretos, os poderosos do mundo não rumaram a Nairobi para mostrar que a humanidade está unida contra os novos apologistas da solução final”.

Em Daniel de Oliveiro admiro a frontalidade com que escreve as suas crónicas. Quando escreve sobre a execução dos estudantes em Garissa, Daniel de Oliveira dá mostras que se pode ser intelectual de esquerda sem abdicar dos princípios de liberdade que defende. Defender a liberdade de pensamento, neste caso, de pensamento religioso, não está senão a mostrar ao mundo mais do que os valores que preserva. Ao condenar o silêncio dos bons, o silêncio dos políticos, o silêncio dos intelectuais, o silêncio dos próprios cristãos, Daniel de Oliveira acaba por nos dizer em que mundo vivemos.

Vivemos num mundo de cobardes… O silêncio é cobardia. Os cristãos executados, mais uma vez, não são Charlie, para que todos, os intelectuais de esquerda também, se unissem condenando a execução de vidas humanas. Tivemos uma voz que se levantou: a do Papa Francisco que condenou as perseguições religiosas. No final da Via-Sacra, o Papa Francisco denunciou os cristãos que são “perseguidos, decapitados e crucificados”, como já tinha condenado também como “brutal” e “sem sentido” o ataque terrorista numa universidade do Quénia. Mas a Igreja Católica, que deveria em uníssono fazer demontrações contra o terrorismo, acaba por ficar em silêncio, não sei se por medo se por cobardia. A Igreja deveria ter mobilizado os católicos e a sociedade em geral para grandes manifestações. Porque não de rua? Mas no mínimo em vigilias que marcassem a repulsa e condenação pelo crime cometido por extremistas.

Quando os europeus, cristãos, agnósticos e ateus, se juntaram para manifestarem a sua repulsa pelo ataque ao jornal francês Chalie Hebdo, a esquerda política fez uma campanha contra as manifestações porque colocavam em risco os imigrantes islâmicos na Europa. Na minha crónica de 12 de fevereiro passado, sob o título “Uma Europa com medo…”, juntei a minha voz a todos os que entendiam que existia uma pressão dos ateus intelectuais para sufocar as manifestações anti Islão. Como acusou Henrique Raposo, na sua crónica (EXPRESSO, 12.12.2014), quando escreveu: “És ateu para criticar o cristianismo, não para criticar o Islão”. Direi que és ateu para permitir a execução de cristãos, mas não para condenar o terrorismo do Islão. Chegamos ao limite do cinismo político, da esquerda que sempre defendeu o laicismo do Estado, acolhendo os movimentos terroristas islâmicos e abandonando o direito à liberdade dos cristãos.

Foi sempre assim. Ainda num recente documentário passado pela Globo, um entrevistado em Cuba recordava que para ter acesso a uma habitação social tinha que assinar uma declaração em como não professava qualquer religião. Tal como Salazar quando obrigava os funcionários públicos a assinar a declaração de não comunista. Em Portugal, no período do PREC, foram retirados todos os simbolos religiosos dos espaços públicos. A perseguição aos cristãos toma hoje uma dimensão de horror com o terrorismo islâmico e, em Portugal, assistimos a realização de sessões poçíticas com a intenção de branquear o terrorismo, quando acusa as manifestações anti-terrorismo como manifestações que colocam em risco os imigrantes na Europa. Procura-se lançar poeira nos olhos dos cidadãos com abraços e mensagens que se tornam em apoio ao terrorismo.

Para a nova Europa de esquerda, simbolizada pelo governo Grego, há que acertar contas da história. Por isso, Alexis Tsipras tem-se desdobrado em esforços para obter choruda indeminização de guerra pela ocupação nazi e roubo dos cofres públicos. Mas esquece que a História teve o seu próprio tempo. Os radicais islâmicos desenterram o machado de guerra utilizado pelos Cruzadas na guerra contra os infiéis. Mas a Primeira Cruzada foi proclamada em 1095 pelo papa Urbano II com o objetivo duplo de auxiliar os cristãos ortodoxos do leste e libertar Jerusalém, a Terra Santa do jugo muçulmano, seguindo-se as Cruzadas Populares contra os infiéis ou aqueles que não eram cristãos. Esse foi um crime que ficou na História e de que o Papa já pediu perdão. Os islâmicos radicais esquecem que a História teve o seu próprio tempo e não faz sentido refundá-la. Da História devemos retirara ensinamentos, especialmente quando são uma mancha negra na relação entres os Povos e quando significou guerras fratricidas.

A sociedade mundial dá mostras de cobardia face ao terrorismo islâmico, porque não é capaz de condenar, com atos e ações e não com palavras politicamente corretas, os movimentos que procuram a destruição em massa dos cristãos. Os interesses pouco claros de uns, os medos e cobardia de outros, arrasta o mundo para um genocídio cuja dimensão não encontra igual na História. A invasão islâmica já não é uma visão apocalítica, mas uma realidade na visão de mentes da guerra. Hoje o sangue muçulmano e árabe corre nas veias duma população significativa da Inglaterra, da França e da própria Russia. A Europa não precisa de ter medo da ameaça de Alexis Tsipras, pois há muito que os europrus abriram as portas aos islâmicos. Certo que o fez por princípios de justiça e necessidade, mas corre o risco de receber como agradecimento o genocidio sobre os próprios europeus que não sejam capazes de citar o Corão, tal como aconteceu na execução dos estudantes católicos.

O papa Francisco levanta a sua voz para recordar ao mundo o genocídio de um milhão de cristãos da Arménia pelo estado muçulmano da Turquia, no início do secilo XX. O papa Francisco sabe que acusa consciências que procuram branquear o genocídio em nome do Islão. Portugal faz parte dos países que branqueia este genocídio por cobardia e medo.

Sabia que no Paquistão está escrito nos morais que “quem matar um cristão irá diretamente para o céu”?

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António Figueiredo

Gestor Reformado
Foi trabalhador estudante, licenciado e Executivo de três empresas multinacionais, tendo exercido cargos no exterior. Foi Oficial do Exército, casado com dois filhos, reformou-se aos 55 anos, após 40 anos de trabalho. Na pensamento político é social democrata. Dedica o tempo de reforma ao voluntariado social e foi durante dois mandatos presidente da UDIPSS de Setúbal.

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