As eleições para a Assembleia da República de 4 de Outubro traduziram-se numa das maiores derrotas eleitorais de sempre do PSD e do CDS-PP, que significa uma condenação profunda do povo português ao governo destes dois partidos e à sua política.

O PSD e o CDS juntos têm agora menos votos que o PSD sozinho tinha obtido nas últimas eleições. Invocam ser a força mais votada, no quadro duma coligação, mas isso em nenhum momento pode esconder o facto de terem tido uma grande derrota, com a perda de mais de 700 mil votos e da maioria absoluta.

O povo português pronunciou-se de uma forma muito clara pela interrupção da ação do governo e da política que executou, uma política de agravamento da exploração, empobrecimento e declínio nacional, atingiu profundamente os trabalhadores, os jovens, os reformados e pensionistas, os micro, pequenos e médios empresários e o País.

A CDU, Coligação Democrática Unitária, PCP-PEV, obteve nestas eleições um novo avanço eleitoral no seguimento do verificado nas últimas três eleições legislativas, que se traduz em mais votos, obtendo 444 319 votos, maior percentagem eleitoral, alcançando 8,27 % e mais deputados, atingindo os 17 deputados, com a eleição de mais um deputado pelo círculo do Porto. Os resultados no distrito de Setúbal traduzem no essencial a afirmação da sua forte expressão na região.

O PS teve um progresso eleitoral, o BE subiu em votos, percentagem e deputados.

Das eleições resulta no plano político a par da condenação do Governo PSD/CDS-PP e da sua política a aspiração a um novo caminho para o País. Os trabalhadores e o povo estão em melhores condições de prosseguir a luta pelos seus direitos, pela melhoria das suas condições de vida, por um Portugal desenvolvido e soberano.

O crescimento do apoio à CDU será posto ao serviço da afirmação e concretização de uma política patriótica e de esquerda, uma política que, como diz o comunicado do Comité Central do PCP, “emergirá nos próximos tempos como a única saída e a única resposta para travar o caminho de declínio e empobrecimento a que a política de direita – sejam quais forem as arrumações que vierem a revelar-se nos próximos dias – quer conduzir o País”.

Temos pela frente tempos de exigência. Mas são também tempos de confiança, com uma certeza, a do compromisso inabalável do PCP com os trabalhadores e o povo, da sua determinação na luta pela rutura com a política de direita, por uma política patriótica e de esquerda vinculada aos valores de Abril, por um Portugal com futuro.

Fotografia de MarioMancuso

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Francisco Lopes

Membro da Comissão Política e do Secretariado do CC do PCP
Nasceu em Vinhó, concelho de Arganil em 1955. Desenvolveu actividade associativa no movimento estudantil no Instituto Industrial de Lisboa (actual ISEL) e foi activista do Movimento Democrático tendo no âmbito dessa acção participado no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, em 1973. Foi membro da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em 1973 e 74 e é membro do PCP desde 1974. A sua profissão é electricista, trabalhou na Applied Magnetics, onde pertenceu à Comissão de Trabalhadores e à célula do PCP da empresa. É funcionário do PCP, integra a Comissão Política e o Secretariado do Comité Central, assume a responsabilidade pela Área do Movimento Operário, Sindical e das Questões Laborais e pelas Questões da Organização Partidária e, entre outras tarefas que desempenhou, foi responsável da Organização Regional de Setúbal do PCP. Foi candidato a Presidente da República nas eleições de 2011 e é deputado à Assembleia da República eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal.

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