Chegamos ao fim de um ano e um novo ano se anuncia. Qual é a situação do País? Que perspectiva se apresenta ao povo português? Que caminho alternativo se coloca?

   

A situação é grave revelando a dimensão retrógrada, antipopular, antidemocrática e antipatriótica da política realizada pelo PSD, o PS e o CDS-PP ao longo das últimas décadas e agudizada pelo governo ainda em funções. A política de direita, dos PEC, do pacto de agressão da troica, do tratado orçamental, de outros tratados e instrumentos, é responsável por um rumo profundamente injusto e desumano.

   

Os dias que correm são no nosso País marcados pela violência de uma política de exploração, empobrecimento, miséria, fome e gritante indignidade.

   

Esse é o testemunho vivido e sofrido, por centenas de milhares, por milhões de portugueses que não conseguem ter nas suas vidas os bens e serviços de que carecem, incluindo os que são forçados a emigrar.

   

Não porque o País não tenha condições para propiciar a todos uma vida digna, mas porque a política seguida desperdiça o aproveitamento dos recursos e da produção nacional e porque a riqueza criada pelo trabalho é extorquida a favor do enriquecimento e esbanjamento de alguns poucos, detentores do poder económico monopolista e saqueada a favor das transnacionais que sangram Portugal.

   

Uma pequena minoria, um por cento da população apropria-se da riqueza criada pela imensa maioria, apropria-se dos recursos do País com as privatizações e os mais diversos processos, apropria-se das receitas dos impostos, apropria-se dos fundos da segurança social e envolve o País em sucessivos escândalos.

   

Face ao rasto desastroso da política que desenvolvem, os beneficiários, executantes e propagandistas da política de direita esforçam-se para encobrir as pesadas consequências da sua acção. No entanto a realidade não engana e evidencia uma situação preocupante. Evidencia o retrocesso inaceitável que constitui a redução da parte do trabalho na distribuição do rendimento nacional que passou de 73% em 1975 para apenas 37% em 2013, enquanto a parte do capital passa de 27% para 62%.

   

Evidencia o agravamento brutal da exploração e do empobrecimento expresso na última década por um lucro acumulado dos principais grupos económicos e financeiros de cerca de 50 mil milhões de euros enquanto reduziam salários e direitos. Evidencia a opção do envio de mais de dez mil milhões de euros para a banca sobre os escândalos do BPN, do BPP ou do GES/BES e dos cerca de 2 mil milhões de euros em PPP e Swaps, retirados aos reformados e pensionistas, aos desempregados, às crianças e jovens àqueles que necessitam de protecção e apoio social. Evidencia a injustiça fiscal duma política que dá benefícios aos grupos económicos e financeiros, que reduz os impostos sobre os lucros e promove a saída do País de centenas de milhões de euros, ao mesmo tempo que eleva os impostos que incidem sobre os trabalhadores, os reformados e a população em geral. Evidencia o que representa o saque dos mais de 8 mil milhões de euros de juros anuais para o capital financeiro transnacional que tão precisos são para o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, o desenvolvimento do País e a criação de emprego.

   

PSD, CDS-PP e PS, os partidos da política de direita, invocando a representação do povo, têm assumido no Governo nas últimas décadas um exercício do poder ao serviço do grande capital nacional e estrangeiro, em confronto com a Constituição da República Portuguesa.

   

E aí estão a querer continuar por décadas e décadas a condenação das actuais e futuras gerações a este caminho sem futuro.

   

O povo português está farto de injustiças, de empobrecimento, de afundamento e declínio nacional e aspira a um rumo alternativo. O PCP tem soluções para o País que vão ao encontro dessa aspiração e dessa urgente necessidade nacional.

   

Soluções para o País que passam por opções essenciais como a valorização do trabalho e dos trabalhadores, dos seus salários e direitos, o aproveitamento dos recursos nacionais, a aposta na produção nacional, o controlo público dos sectores estratégicos, uma política fiscal que garanta os recursos necessários e combata as injustiças, a valorização das reformas e pensões, a efectiva garantia de apoios sociais e serviços públicos, do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública e a defesa dos interesses nacionais em que se destaca a renegociação da dívida.

   

Soluções para o País, com a força do povo, por um Portugal com futuro, com a demissão do Governo, a ruptura com a política de direita e uma política patriótica e de esquerda.

   
Em 2015 vamos assistir a uma intensa acção propagandística de falsificação da realidade do País, de criação de ilusões e de pregação da resignação e da desistência, no entanto, face à situação e aos perigos que se colocam o povo português tem nas suas mãos a possibilidade de decidir. A possibilidade de afirmar na resistência, na luta de todos os dias e no dia das eleições a sua exigência de ruptura com a política de direita e o rumo de afundamento do País e a sua opção por uma política patriótica e de esquerda, uma política de afirmação da Constituição da República e dos valores de Abril, de liberdade, democracia, soberania e progresso social.

   

Aos trabalhadores e ao povo português, coloca-se em 2015, face a uma situação grave e preocupante, um horizonte de esperança alicerçado num caminho de luta.

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Francisco Lopes

Membro da Comissão Política e do Secretariado do CC do PCP
Nasceu em Vinhó, concelho de Arganil em 1955. Desenvolveu actividade associativa no movimento estudantil no Instituto Industrial de Lisboa (actual ISEL) e foi activista do Movimento Democrático tendo no âmbito dessa acção participado no III Congresso da Oposição Democrática em Aveiro, em 1973. Foi membro da União dos Estudantes Comunistas (UEC) em 1973 e 74 e é membro do PCP desde 1974. A sua profissão é electricista, trabalhou na Applied Magnetics, onde pertenceu à Comissão de Trabalhadores e à célula do PCP da empresa. É funcionário do PCP, integra a Comissão Política e o Secretariado do Comité Central, assume a responsabilidade pela Área do Movimento Operário, Sindical e das Questões Laborais e pelas Questões da Organização Partidária e, entre outras tarefas que desempenhou, foi responsável da Organização Regional de Setúbal do PCP. Foi candidato a Presidente da República nas eleições de 2011 e é deputado à Assembleia da República eleito pelo Círculo Eleitoral de Setúbal.

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