A Casa da Cultura, em Setúbal, celebrou o quarto aniversário com um programa especial, desenvolvido entre terça e quinta-feira, que juntou mais de uma centena de pessoas em diferentes iniciativas

O programa de aniversário do equipamento, organizado pela Câmara Municipal de Setúbal com o apoio de diversas entidades, incluiu a dinamização de ateliers, um espetáculo, o lançamento de um livro e a inauguração de uma exposição.

Na terça-feira à noite, a Sala José Afonso esgotou para assistir ao concerto ao vivo de Rita Andrade, compositora, letrista e intérprete, que atuou acompanhada de guitarrista.

O espetáculo, que ao longo de uma hora encantou a meia centena de pessoas presentes, contou com a interpretação de temas do álbum de originais da artista, com influências soul, blues, pop, rock, folk e rhythm and blues.

O programa continuou na quarta-feira, data em que se assinalou a abertura, há quatro anos, da Casa da Cultura. O Mundo da Zingarela dinamizou, de manhã, no Café das Artes, um atelier de pinturas faciais.

A festa de aniversário da Casa da Cultura incluiu ainda, no Espaço das Artes, um atelier de iniciação à pintura, realizado entre quarta e quinta, a cargo da Associação de Artistas Plásticos de Setúbal.

Noutra iniciativa, Álvaro Arranja (), perante uma Sala José Afonso com cerca de três dezenas de pessoas, evocou, o setubalense Jaime Rebelo, resistente antifascista, na apresentação de “O Homem da Boca Cerrada”, o seu mais recente livro, lançado no âmbito das comemorações da Implantação da República e numa parceria entre a autarquia e o Centro de Estudos Bocageanos.

A obra, da coleção “Clássicos de Bolso de Setúbal”, aborda o episódio passado na “greve dos 92 dias”, em 1931, na qual Jaime Rebelo foi preso e torturado pela polícia política salazarista. Durante os interrogatórios, cortou a língua com os próprios dentes para não conseguir denunciar os companheiros.

Dicionários, manuais e enciclopédias escolares estão representados em “A Educação na 1.ª República”, exposição inaugurada, por Daniel Pires, do Centro de Estudos Bocageanos, entidade organizadora da mostra conjuntamente com a Câmara Municipal de Setúbal.

A exposição, patente até ao final do mês, é constituída por uma seleção de materiais que retratam a educação durante a Primeira República Portuguesa, período entre o 5 de Outubro de 1910 e o golpe militar de 28 de maio de 1926, como, por exemplo, três cartilhas maternais de João de Deus.

A Casa da Cultura, que completou agora quatro anos de existência, desenvolve um programa regular de música, cinema, teatro, dança, encontros e fotografia, entre outras áreas, proporcionado pela Câmara Municipal de Setúbal, a par de atividades a cargo de associações da cidade, algumas delas com espaços próprios no imóvel.

Este local de fruição e partilha cultural setubalense, inaugurado a 5 de outubro de 2012, na sequência da requalificação de um edifício histórico da cidade, conta com centros de documentação, espaços para concertos e produção musical e para as artes plásticas, áreas multiusos e zonas de lazer e restauração.