Linhas orientadoras para a estratégia de desenvolvimento de Setúbal na próxima década foram apresentadas e debatidas em sessão pública, com o objetivo de recolher contributos da sociedade civil para harmonizar, com as perspetivas locais, um estudo atualmente em elaboração.

O Plano Estratégico de Desenvolvimento Setúbal 2026 está a ser preparado, desde dezembro de 2014, pela Câmara Municipal e a sociedade de consultores Augusto Mateus & Associados, com a finalidade de dotar a autarquia de um instrumento abrangente que reúna uma perspetiva integrada do território, nomeadamente com enquadramentos nas áreas do desenvolvimento económico, do reforço da coesão social e da proteção ambiental.

Na sessão pública realizada na noite de dia 5, no Fórum Municipal Luísa Todi, foi apresentado um diagnóstico prospetivo, no qual estão identificadas virtudes, dificuldades, necessidades e potencialidades no concelho de Setúbal.

Como esta fase ainda se encontra a decorrer, a equipa técnica responsável pela elaboração do estudo promoveu um encontro público para recolha de contributos que possam melhorar, corrigir ou simplesmente afinar diferentes aspetos do trabalho de análise até agora desenvolvido.

“O plano não termina aqui”, sublinhou o vice-presidente da Câmara Municipal, André Martins, na abertura do encontro.

A elaboração do plano é constituída por três fases. A atual, de diagnóstico, é a primeira, depois de já se ter ultrapassado o que se designa por fase “zero”, de arranque dos trabalhos e criação de uma metodologia. Segue-se a fase de apresentação da visão estratégica para o concelho e, por último, a de definição de projetos estruturantes para o desenvolvimento do território e de os tornar viáveis.

André Martins apresentou uma resenha do trabalho desenvolvido pelo atual Executivo municipal, prova que aponta como uma demonstração de que “tem uma estratégia bem definida para o mandato”.

O autarca respondeu, porém, a uma pergunta lógica sobre a eventual necessidade de elaboração de uma análise estratégica como a que foi introduzida à população. “Porque então um Plano Estratégico de Desenvolvimento para Setúbal? Fundamentalmente porque temos ideias e objetivos bem definidos para o nosso território, mas não somos autossuficientes.”

Acentuou a necessidade de se “criar uma plataforma onde toda a sociedade civil possa participar, mas também onde todas as instituições e entidades que atuam no território possam integrar os seus projetos e todos os agentes económicos possam enquadrar os seus investimentos”.

A importância de potenciar e calendarizar todas as possibilidades de candidaturas a fundos comunitários até 2020 e a necessidade de alargar o horizonte de planeamento “pelo menos por dez anos” levaram a que a Câmara Municipal estabelecesse o ano de 2026 como um marco para a definição do plano estratégico. Acresce que esta é uma data simbólica para Setúbal, já que se celebra nesse ano o centenário da elevação a capital do distrito.

Coube a Vânia Rosa, da sociedade de consultores Augusto Mateus & Associados, e ao próprio Augusto Mateus a condução da apresentação das primeiras linhas orientadoras já diagnosticadas para a estratégia de desenvolvimento para Setúbal.

“Este trabalho vive muito do confronto de ideias entre técnicos, como nós, e a opinião de quem convive com os problemas e virtudes locais quotidianamente. Os técnicos têm uma visão mais distante, em que questionam tudo, até aquilo que habitualmente não é posto em causa, enquanto a comunidade compreende melhor as dinâmicas locais”, clarificou Vânia Rosa, coordenadora para as áreas do planeamento e desenvolvimento regional integrado.

Uma bacia de emprego muito expressiva, a forte tradição industrial e orientação para a internacionalização, o que também tornará o concelho mais sensível às flutuações económicas, a atividade portuária, o turismo e o peso de importantes áreas naturais no desenvolvimento sustentável são alguns dos fatores que parecem, para já, mais influenciar o crescimento de Setúbal.

O diagnóstico prospetivo encontrou, até ao momento, quatro eixos para que Setúbal desenvolva uma estratégia orientada para o protagonismo: qualidade urbana, capacitação e inovação social, excelência da ligação urbana-rural e da sustentabilidade e internacionalização e inovação.

 

“Temos de ver de 2026 para o presente. Este é o exercício a fazer. Temos de ver como tornar o necessário em possível”, desafiou Augusto Mateus mediante a apresentação das primeiras linhas orientadoras diagnosticadas.

“Setúbal tem a oportunidade de fazer crescer os territórios contíguos e de crescer com eles”, destacou o consultor, ao defender a importância da interatividade do concelho com os territórios adjacentes, nomeando, a título de exemplo, a proximidade da península de Troia, pertencente ao concelho de Grândola, e até de Lisboa.

Outro potencial setubalense em que o professor catedrático considera relevante apostar é “a articulação entre o mundo urbano e o mundo rural”, pois, aponta, “o planeta mudou e as realidades mais desejadas na atualidade são precisamente estas, com a cidade próxima do campo e o campo próximo da cidade”.

Para Augusto Mateus o “interesse de uma estratégia é saber bem o que se quer e o que não se quer. É saber dizer ‘não’. Um plano estratégico tem a função de criar condições para tornar realidade determinado objetivo. Não se pode propor um plano estratégico que não leia as tendências atuais”.

Com uma visão pragmática e sempre objetiva dos dados e realidades entretanto analisados sobre Setúbal, o consultor refere que existem razões para a comunidade local ter autoestima elevada.

“É uma questão a abordar. Até porque se deve reparar em dados curiosos como este: a região de Lisboa ocupa o décimo lugar no ranking das mais industrializadas entre as capitais europeias. É muito bom. Décimo é uma ótima posição, não é preciso ser sempre o primeiro em tudo. Agora, Lisboa só ocupa esse lugar graças a Setúbal. Sem este concelho, nunca estaria nessa posição”, sublinhou.

Além dos contributos recolhidos pelo muito público que preencheu a plateia do Fórum Luísa Todi, a população pode ainda participar com sugestões e críticas em relação aos resultados apresentados neste diagnóstico prospetivo.

Na página de internet da autarquia é possível descarregar o documento de suporte à apresentação feita na sessão pública e aceder a um formulário digital no qual se pode deixar contributos para facilitar e melhorar a elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento Setúbal 2026.