Os Peter Strange foram os vencedores da 12.ª edição do Concurso de Bandas de Garagem de Setúbal, evento do programa municipal do Mês da Juventude, [email protected], que terminou no sábado, com a Sociedade Musical Capricho Setubalense praticamente esgotada.

Os ponteiros do relógio aproximavam-se das duas da manhã quando os resultados foram anunciados aos participantes e ao público que enchia a sala de espetáculos da Capricho, parceira da Câmara Municipal na organização do certame.

Os prémios correspondentes ao primeiro lugar, entregues pelo vereador com o pelouro da Juventude, Pedro Pina, foram para o único grupo proveniente de fora do concelho sadino de entre os quatro finalistas, os Peter Strange.

Oriundos de Algés, Oeiras, conquistaram, através de um rock inovador, não apenas o público setubalense, mas também o júri, que lhes atribuiu o primeiro lugar da prova, os respetivos mil euros de prémio e um lugar no palco da Feira de Sant’Iago, evento que recebe cerca de 300 mil visitantes anualmente.


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À pergunta que se impunha após a divulgação dos resultados, Pedro Marques, vocalista, guitarrista e génese da banda, respondeu com humildade. “Não esperávamos este prémio. Sinceramente. Não tanto por não acreditarmos em nós, mas porque vimos as outras bandas e, a primeira, foi mesmo muito boa”, sublinhou.

O grupo que impressionou Pedro Marques foi os Loosense. O quinteto de Setúbal sobressai pelo jazz instrumental, temperado com notas de funk. Ficaram no segundo lugar, ao qual juntaram a distinção de Melhor Banda do Concelho.

Sobre a vitória, Pedro Marques, “sempre muito pessimista por natureza”, diz que a surpresa é ainda maior pelo facto de Peter Strange já se ter apresentado noutros eventos semelhantes ao Concurso de Bandas de Garagem de Setúbal sem alcançar o mesmo êxito.

“Nessas ocasiões, não tivemos estes resultados. Talvez seja um sinal do amadurecimento da banda. Temos crescido muito. Começámos em julho de 2015 e ensaiamos uma vez por semana. Nesses dias só dá Peter Strange. Não se passa mais nada à nossa volta”, analisa o mentor do conjunto.

O nome do grupo funde-se precisamente com o vocalista e guitarrista, que, antes de o conjunto ser uma realidade, começou a mostrar letras e composições a amigos para ganhar autoconfiança. “Disseram-me na altura que era bom, que valia a pena apostar, mas que também era estranho”, recorda Pedro Marques a origem do batismo do grupo.

A banda, constituída ainda por Miguel Matos, bateria, Ricardo Peres, baixo, e Rafael Sobreiro, guitarra, prepara-se para lançar o primeiro EP no final deste mês e encara sem medo a participação na Feira de Sant’Iago.

“Vamos a cada concerto, estejam cinco pessoas ou 50 mil a assistir, com a mentalidade de dar o nosso melhor. Sant’Iago vai ser uma oportunidade única de mostrar este projeto, de dar a conhecer a música que fazemos”, assume Miguel Matos.

Antes de uma atuação, Pedro Marques sente náuseas. “Fico a tremer, tenho suores frios. É do pior. Mas, no instante em que pisamos o palco, passa tudo. Só dá música.”

Quanto aos restantes lugares do pódio, os Loosense recebem, pelo segundo posto, 700 euros e, pela supremacia ao nível local, Melhor Banda do Concelho, têm a oportunidade de gravar três temas no estúdio da Casa da Cultura.

Comum a todos os premiados é o convite para atuar na Feira de Sant’Iago, pelo que também se junta aos dois primeiros classificados o terceiro lugar do concurso, o punk/rock dos sadinos To All My Friends, que viram ainda o “bronze” ser recompensado com um cheque de 500 euros.

O estilo stoner e surf rock dos setubalenses Los Empty Heads foi insuficiente para vingar na final, com o trio a ficar na quarta posição e a levar para casa um prémio pecuniário de consolação oferecido pela escola de música Dámsom.

O Concurso de Bandas de Garagem de Setúbal só ficou completo com um afterhours, madrugada fora, no Salão Nobre da Sociedade Musical Capricho Setubalense.

Zé Zambujo, no saxofone e elemento dos Loosense, participou numa jam session de blues, jazz e funk com João Fernandez, na guitarra elétrica.

A 12.ª edição da prova, que decorreu ao longo do mês, incluindo uma pré-eliminatória para bandas de Setúbal e duas eliminatórias antes da final, contou com a participação de oito conjuntos de música moderna, na demanda de afirmar os respetivos projetos no panorama musical nacional.

O certame conta com os apoios das juntas de freguesia de S. Sebastião, do Sado, da Gâmbia, Pontes e Alto da Guerra e da União de Freguesias de Setúbal.