Agricultura familiar foi tema de debate, no passado fim-de-semana, em Poceirão, concelho de Palmela. O assessor da Associação dos Agricultores do Distrito de Setúbal (AADS) adianta que após a reunião “decidiram continuar a denunciar as políticas do Governo, que não estimulam a agricultura familiar” e o “quadro comunitário de 2014 a 2020 que no que diz respeito às freguesias rurais não prevê nenhuma freguesia da região como rural”, o que “não permite que tenham os apoios para o seu desenvolvimento”.

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Avelino Antunes sublinha que vão “reunir-se com os agricultores”, com o objectivo de “recolher contributos sobre que medidas podem tomar para defender a agricultura familiar” e o “desenvolvimento rural”. O dirigente da AADS lembra que a “defesa da agricultura familiar é uma responsabilidade de todos”, nomeadamente do “Governo”, uma vez que “este tipo de agricultura garante 70 por cento do total da alimentação consumida pela humanidade”, o que faz dela “o principal sistema de abastecimento alimentar”.

O representante da associação acrescenta que a agricultura familiar é “um factor indispensável para a soberania” e “qualidade alimentar, não entendendo as propostas do Governo”, com as “novas regras de fiscalidade agrícola”, que “obriga o agricultor com pequenas ou grandes propriedades a estar colectado” para “poder vender os seus produtos”. O assessor da AADS considera que “esta medida dificulta ainda mais a vida dos agricultores”, visto que é “um acréscimo aos custos de produção”.

O dirigente da AADS diz que outro assunto debatido foi “a grande cadeia de distribuição alimentar” que entendem que “esmaga em baixa o preço à produção”, uma vez que “vendem os produtos abaixo dos custos dos mesmos”, o que “vai fazer com que os agricultores sejam obrigados a baixar o preço do produto para poder escoá-lo”. O dirigente associativo refere que o “país precisa de outras políticas agrícolas” e de “produzir mais”, estando, neste momento, o “Governo a fazer precisamente o contrário”.

O assessor da AADS faz “um balanço positivo do debate”, salientando que foram discutidos os “problemas que afectam a agricultura familiar” e o “desenvolvimento rural da península de Setúbal”, sendo necessário “tomar medidas urgentes”, visto que o “número de agricultores nos últimos 20 anos tem diminuído drasticamente”, havendo “menos 300 mil agricultores familiares”. Avelino Antunes recorda que uma “parte significativa da produção agrícola em Portugal é assegurada por pessoas de idade avançada”, cujas “reformas são insuficientes para assegurar a sua existência, obrigando-as a permanecer no activo”.